A paralisação das obras de construção da Barragem de Oiticicas
completa nove dias, nesta quarta-feira (06). O Movimento dos Atingidos e
Atingidas pela obra decidiu forçar a paralisação com a justificativa de
que, enquanto a obra física da barragem já se aproxima dos 40%, as
sociais não tem ainda saído do papel.
As reivindicações do Movimento são conhecidas do Governo do Estado,
tanto que na carta aberta ao governador Robinson Faria, protocolada na
última sexta-feira (01) em seu gabinete, foi exposto o sentimento de
decepção com os descumprimentos de quase todos os prazos assumidos pelo
Governo com o Movimento. Dos 141 milhões de reais em recursos federais,
liberados para a construção da Barragem, 87,24% foram gastos na obra
física e supervisão, e apenas 12,7%, o equivalente a 18 milhões foram
investidos nas obras sociais.
E quando se esperava que o Governo do Estado abrisse um canal de
diálogo com os agricultores, o Movimento diz ter sido surpreendido com a
postura do secretário de Recursos Hídricos, Mairton França, que em
entrevistas a veículos de comunicação da região tem tentado, não apenas
criminalizar, mas acima de tudo responsabilizar o Movimento por
prejuízos que a obra venha a sentir, desde a sua mais recente
paralisação.
“Ninguém aqui é contra a Barragem, como o Governo deixa transparecer.
Somos contra as irregularidades que estão sendo feitas com os moradores
de Barra de Santana. Somos pessoas honestas, trabalhadoras e não
merecemos passar por isso. Nada foi feito para nós. O Governo jamais
imaginava que um movimento de agricultores simples jamais teria forças
para parar uma obra como essa”, explicou.
Dentre as reivindicações feitas pelo Movimento, uma delas é a
assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, entre os Governos
Federal e Estadual e o Ministério Público Federal, com prazos para a
realização das obras sociais, em especial a construção da nova Barra de
Santana e o cemitério.


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