Carros modernos, daqueles que parecem a um triz de voar, são
esparramados pelo pátio. Pessoas caminham apressadas por ali, em busca
de um lanche rápido, de olho em algum eletro-eletrônico que otimize a
vida, que dê conforto às horas de descanso. As lojas exibem siglas em
suas vitrines: LED, LCD, 3D, 3G. Ninguém apostaria que naquele canto da
zona oeste do Rio de Janeiro, em um shopping center cravado em Bangu, um
sujeito resolveu chutar uma bola de futebol (possivelmente) pela
primeira vez dentro do país que, mais de 100 anos depois, seria
pentacampeão do planeta.
Quase ninguém. Em meio à modernidade do início do século XXI, um grupo
de moradores/pesquisadores/fanáticos de Bangu tenta revirar o final do
século XIX para provar ao mundo aquilo que o bairro conhece desde
sempre: que o futebol brasileiro nasceu ali, graças a um escocês, não em
São Paulo, via Charles Miller, como defende a versão oficial sobre as
origens da bola em terras tupiniquins.
Não é uma tarefa fácil. Faltam documentos concretos, com a didática
capaz de não deixar pingos fora dos is. Mas a turma de Bangu batalha
para reescrever a história. Aos causos que passaram de conversa em
conversa por gerações, eles somam uma pesquisa de anos. E agora querem
cruzar o oceano em busca de provas que ofereçam ao senhor Thomas
Donohoe, um escocês pálido, magro e bigodudo, nascido em 1863 em Busby,
empregado de uma empresa têxtil, o pioneirismo daquilo que virou quase
um sinônimo do Brasil.
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