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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Charles Miller? Em Bangu, futebol brasileiro é cria de escocês

Thomas Donohoe Bangu (Foto: Divulgação)
Bangu (Foto: Alexandre Alliatti / Globoesporte.com)

Carros modernos, daqueles que parecem a um triz de voar, são esparramados pelo pátio. Pessoas caminham apressadas por ali, em busca de um lanche rápido, de olho em algum eletro-eletrônico que otimize a vida, que dê conforto às horas de descanso. As lojas exibem siglas em suas vitrines: LED, LCD, 3D, 3G. Ninguém apostaria que naquele canto da zona oeste do Rio de Janeiro, em um shopping center cravado em Bangu, um sujeito resolveu chutar uma bola de futebol (possivelmente) pela primeira vez dentro do país que, mais de 100 anos depois, seria pentacampeão do planeta. 

Quase ninguém. Em meio à modernidade do início do século XXI, um grupo de moradores/pesquisadores/fanáticos de Bangu tenta revirar o final do século XIX para provar ao mundo aquilo que o bairro conhece desde sempre: que o futebol brasileiro nasceu ali, graças a um escocês, não em São Paulo, via Charles Miller, como defende a versão oficial sobre as origens da bola em terras tupiniquins.

Não é uma tarefa fácil. Faltam documentos concretos, com a didática capaz de não deixar pingos fora dos is. Mas a turma de Bangu batalha para reescrever a história. Aos causos que passaram de conversa em conversa por gerações, eles somam uma pesquisa de anos. E agora querem cruzar o oceano em busca de provas que ofereçam ao senhor Thomas Donohoe, um escocês pálido, magro e bigodudo, nascido em 1863 em Busby, empregado de uma empresa têxtil, o pioneirismo daquilo que virou quase um sinônimo do Brasil.

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