Laranja Mecânica, Barcelona do Sertão. Não faltaram adjetivos para o
surpreendente início de Campeonato Pernambucano do debutante Serra
Talhada, clube do interior de estado. Após conquistar o acesso para a
primeira divisão regional, a equipe iniciou a competição com duas
goleadas.
Na estreia, aplicou um 4 a 0 no América, que acabou rebaixado
com quatro rodadas de antecedência. Na rodada seguinte, outro 4 a 0,
desta vez no Ypiranga-PE. A empolgação foi instantânea. Mas o futuro
reservaria emoções bem diferentes. Que o diga o presidente do clube,
vítima de um enfarto na beira do campo.
A ótima largada no Pernambucano foi suficiente para encher de orgulho
os sertanejos da cidade, distante 415 quilômetros do Recife, e que tem
orgulho de ser o berço do cangaceiro Lampião. Porém, a felicidade durou
pouco, e o que parecia promissor, virou uma tamanha dor de cabeça depois
de cinco derrotas nas rodadas seguintes.
A partir daí, veio o choque de realidade, e a equipe passou a lutar
contra o rebaixamento. Após uma troca de comando, com a demissão de
Reginaldo Sousa, os jogadores misturaram a garra gaúcha de Bagé, novo
técnico, com o espírito de que “o sertanejo é antes de tudo um forte”,
célebre frase de Euclides da Cunha, e conseguiram se livrar da degola.
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