Dispensado da Benetton e sem conseguir avançar nas negociações com
Ferrari e Ligier, Nelson Piquet começou 1992 fora da F1 e de qualquer
outra competição regular no automobilismo. Livre no mercado, recebeu em
março daquele ano um convite de John Menard para guiar um dos cinco
carros inscritos por sua equipe às 500 Milhas de Indianápolis, tendo
como um dos companheiros o lendário tetracampeão da prova, Al Unser.
Atiçado pelo sucesso de Emerson Fittipaldi em solo americano, mas
reticente com relação ao nível de competitividade que a Menard tinha a
lhe oferecer, o tricampeão da F1 consultou o colega Eddie Cheever para
saber no que estaria se metendo. Experiente nas duas categorias, o
americano lembrou a Nelson que a combinação do chassi Lola T92/00 (o
mais atualizado da montadora inglesa, à época) com o motor Buick V6
turbo era uma das mais fortes do grid e colocava a equipe como uma das
forças na disputa pela pole.
As novas animaram Piquet, que aceitou o chamado e partiu para uma
bateria de três dias de testes com o time no fim daquele mês. O
brasileiro demonstrou rápida adaptação ao carro e cravou volta com
média acima da barreira das 220 mph (352 km/h).
Conforme prevê o protocolo, Piquet teve de passar pelos testes para
novatos estipulados pela organização da prova, os quais considerou
servirem apenas "para testar a paciência", andando em velocidades médias
estipuladas previamente pelos comissários. Quando o veterano pôde acelerar para valer, logo se colocou entre os
mais velozes da pista, flertando sempre entre os cinco primeiros
colocados.
Nos treinos livres do dia 7 de maio, Piquet já havia registrado uma
volta com média de mais de 228 mph (mais de 365 km/h), quando passou por
cima de um pedaço de carenagem no meio da reta oposta. Aparentemente, o
detrito não gerou nenhuma avaria em seu carro, mas, na saída da curva
4, um pequeno furo no pneu traseiro direito provocou uma escapada brusca
e Piquet foi parar no temido muro branco.
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