Se a Rede Globo já tinha grande poder sobre o futebol brasileiro, a
tendência é que ele aumente nos próximos anos. Em 2011, o dinheiro pago
pelas TVs – quase tudo pela Globo – atingiu 36,4% do total das receitas
dos principais clubes do Brasil. Esse valor é inédito desde que os
balanços dos clubes começaram a ser publicados em 2003.
A Mazars auditores, a pedido analisou a
receita dos 14 maiores clubes do Brasil nos últimos quatro anos. Somou o
faturamento de todos esses clubes, dividido em seis categorias. Os
números de 2011 confirmaram algumas tendências, mas também trouxeram
algumas novidades.
No décimo ano após o final do passe no Brasil, a
receita com negociação de jogadores continuou caindo e hoje não
representa um em cada seis reais que os clubes faturam. Mas,
surpreendentemente, o clube que mais faturou nessa rubrica foi o
Corinthians. O clube mais rico do país, não teria uma vantagem tão
grande se não incluísse no balanço as partes que não lhe pertencem dos
direitos econômicos de seus jogadores. Assim, os R$ 58 milhões que
aparecem como receita de venda de jogadores se reduzem a menos da metade
se for computado apenas o que efetivamente entrou no clube.
Exceções
Apesar
do crescimento do marketing, poucos clubes escapam dessa dependência da
TV e da venda de jogadores – para Botafogo e Fluminense, mais da metade
da receita vem daí. O Internacional é um caso exemplar de como
fugir disso. Arrecada R$ 40 milhões só com os seus sócios, que não são
meros sócio-torcedores. Esse valor coloca-o entre os clubes mais ricos
do país, mesmo com uma torcida quase restrita ao Sul do país. Por fim, o item que mais caiu é a bilheteria, que na Europa faz a diferença entre os clubes grandes e gigantes.
Fatia da TV é ainda maior no Flamengo
No
Flamengo, mais da metade das receitas que o clube obteve vieram dos
contratos com a Globo. São 51,2%, o mais alto valor entre os grandes
clubes brasileiros (a comparação com o Coritiba, o único que poderia
superá-lo, é impossível porque o Coxa coloca na mesma rubrica bilheteria
e direitos de TV).
O clube, que detém a maior torcida do Brasil,
cerca de 33 milhões de torcedores segundo a última Pesquisa
LANCE!-Ibope, publicada em 2010, está colocado apenas em quinto lugar em
receitas de marketing, uma atividade que depende muito do tamanho da
torcida. Em bilheteria, o clube conseguiu em 2011 só a metade do que faturaram Corinthians e Santos, separadamente.
Até em social e esportes olímpicos, que são o carro-chefe da presidente Patrícia Amorim, teve desempenho decepcionante. O Flamengo faturou R$ 19,5 milhões, ficando atrás, de Grêmio, Inter e São Paulo.
O clube que se beneficiou menos do dinheiro da TV foi o Atlético-PR, hoje na Série B.
Até em social e esportes olímpicos, que são o carro-chefe da presidente Patrícia Amorim, teve desempenho decepcionante. O Flamengo faturou R$ 19,5 milhões, ficando atrás, de Grêmio, Inter e São Paulo.
O clube que se beneficiou menos do dinheiro da TV foi o Atlético-PR, hoje na Série B.
Balanço muda em cada clube
A
adoção de critérios diferentes em cada clube impossibilita a realização
de comparações precisas entre os resultados financeiros.
Alguns
clubes, por exemplo, colocam a receita de sócio-torcedor junto com a
social, outros colocam esses valores em linhas separadas. Alguns chegam a
usar parte desse montante como bilheteria.
Nas receitas com jogadores, alguns clubes registram apenas a parte que lhes cabe. Outros prestam conta do preço total e depois colocam como despesa o pagamento do parceiro. Muitas vezes, esse dinheiro nem ao menos passa pelos cofres do clube.
Por fim, acordos que envolvem permutas utilizam valores contábeis muito diferentes em cada associação.
Nas receitas com jogadores, alguns clubes registram apenas a parte que lhes cabe. Outros prestam conta do preço total e depois colocam como despesa o pagamento do parceiro. Muitas vezes, esse dinheiro nem ao menos passa pelos cofres do clube.
Por fim, acordos que envolvem permutas utilizam valores contábeis muito diferentes em cada associação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário