O Ministério Público do Ceará denunciou um empresário, seis empresas e
23 servidores do BNB (Banco do Nordeste) sob a acusação de desvio de R$
22 milhões da instituição. O promotor Ricardo Rocha também pediu a prisão preventiva de Juacy Pinto
Cunha Filho, dono das empresas e apontado como principal responsável
pelas fraudes.
Com isso, a Promotoria pretende preservar as provas de um suposto
esquema de desvios de recursos que pode ultrapassar R$ 2 bilhões em pelo
menos cinco Estados. Entre os crimes denunciados estão estelionato,
formação de quadrilha e falsificação de documentos.
A defesa de Cunha Pinto disse que ele ainda não foi notificado
oficialmente sobre a acusação e que só pretende se manifestar depois
disso. O advogado Paulo Quezado negou que o empresário esteja foragido.
"Ele está na cidade, trabalhando normalmente e vai se apresentar quando
necessário", disse.
O Ministério Público investiga o caso desde setembro de 2011. Na primeira etapa, Rocha identificou que empresas de Cunha Filho
apresentavam notas falsas para justificar empréstimos e financiamentos
contraídos no BNB.
A grande maioria utiliza notas e relatórios falsos para comprovar a
existência de máquinas que não existiam de fato. Em alguns casos, as
empresas existiam só no papel", disse. O promotor identificou pelo menos
cem veículos financiados com documentos falsos.
O esquema, segundo a Promotoria, conta com a participação de gerentes e técnicos do BNB. O banco informou, por meio de nota, que ainda não foi notificado
oficialmente, e que se só vai se pronunciar a respeito após tomar
conhecimento da íntegra da ação.
No último dia 20 de julho, o presidente do BNB, Jurandi Santiago,
renunciou ao cargo em meio a suspeita de envolvimento em desvio de
verbas quando era secretário-adjunto de Cidades, em 2009. Segundo o
promotor, os casos não têm relação.
A investigação da Promotoria contou com a participação de um delegado da
Polícia Federal, que instaurou inquérito para apurar o caso. O TCU
(Tribunal de Contas da União) também solicitou uma cópia do processo
para realizar investigação própria.

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