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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sem acordo com Governo, médicos pedem intervenção Federal na Saúde do RN

Fausto Landim, de 14 anos, e João Ferreira Lucas, de 66 anos, aguardavam ontem atendimento há mais de 24h em cadeiras de rodas no HWG 

Representantes do Conselho Federal de Medicina e da Federação Nacional de Médicos se reuniram ontem pela manhã com a governadora do RN, Rosalba Ciarlini, para discutir a crise pela qual passa o sistema de saúde do Estado. Contudo, não houve acordo. O Conselho Federal de Medicina irá denunciar o Governo do Estado à organizações internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, e pedir uma intervenção federal na saúde do Estado. Rosalba Ciarlini não aceita a intervenção e afirma já existir uma parceria entre o Governo do Estado e o Governo Federal, o que, segundo ela, torna a intervenção "desnecessária".

Como anunciado na última segunda-feira, o Conselho de Medicina irá denunciar o Governo do Estado por desrespeitar os direitos humanos no Hospital Walfredo Gurgel, maior unidade de saúde do RN. Ontem, Aloísio Tibiriçá, segundo vice-presidente do CFM, e José Morisseti, representante da Fenam, visitaram o Walfredo Gurgel no intuito de colher imagens e informações que irão fundamentar o pedido de intervenção e a denúncia na Corte Interamericana.  Lá puderam presenciar pacientes alojados em macas no chão, falta de materiais hospitalares importantes, como respiradores e tubos de oxigênio e uma fila de 91 pacientes à espera de cirurgias ortopédicas.

Após a visita ao Hospital Walfredo Gurgel, os representantes se reuniram com a governadora Rosalba Ciarlini. Foi uma reunião tensa, com uma discussão marcada pelo tom áspero das duas partes.  Aloísio Tibiriçá e  José Morisseti defenderam com veemência a necessidade de uma intervenção federal no Rio Grande do Norte. Para isso, tomaram como base "a questão orçamentária e a incompetência administrativa". Em outras palavras, as entidades médicas acreditam que o Ministério da Saúde, por ter participação efetiva em boa parte do financiamento do sistema estadual, precisa gerir a Secretaria de Saúde, "já que o governo tem dado sinais de que não consegue lidar sozinho com a situação", disse Aloísio Tibiriçá.


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