Para apurar as possíveis irregularidades na pesquisa feita em Caicó,
supostamente pelo Instituto Start, o promotor eleitoral Geraldo Rufino
confirmou a abertura de um processo de investigação. O primeiro a ser
ouvido foi o professor de Estatísticas Francisco Assis de Medeiros.
Diretores do Instituto Start, que teria emprestado o nome para o mesmo,
também prestarão depoimentos.
Por sinal, no depoimento que prestou ao promotor, Francisco disse que
a Start não só sabia do trabalho que ele estava realizando em Caicó,
como teria 20% do valor pago pela pesquisa, que foi de 5 mil reais. “Ele
sustentou que era um trabalho em conjunto, onde a Start entrava com o
nome da empresa, com o registro e ele fazia o trabalho de campo. Era uma
parceria entre ele e a Start”, explicou o promotor. No depoimento,
Francisco disse que sabia que o questionário aplicado em Caicó não era o
padrão da Justiça Eleitoral. “Isso é uma irregularidade, já que o
TSE tem uma resolução dizendo que a pesquisa pra ser divulgado tem que
atender determinados requisitos e alguns destes requisitos não foram
obedecidos, disse Geraldo Rufino.
Marcos Dantas – Ele agiu de má fé?
Geraldo Rufino - Ele admite que errou porque entregou uma pesquisa para
ser divulgado, que não podia ser divulgada. Agora ele disse que fez
isso de boa fé, sem maldade e achando que o resultado era correto. Ele
admite que o erro foi dele, que ele fez a pesquisa, que foi ele quem
entregou a pesquisa ao contratante. Ele diz que agiu de boa fé e quando
alertou o contratante de que não poderia divulgar, ele já tinha
divulgado, também agindo de boa fé, porque não sabia que não podia. A
Justiça vai aceitar a simples argumentação de Medeiros? Não. Vamos ouvir
a Start, para que tudo seja provado. Se ele conseguir provar que tudo
que ele diz é verdade, responde ele e a Start.
Os contratantes sabiam que estavam encomendando uma pesquisa terceirizada e não do próprio instituto Start?
Ele disse que sabiam, mas os contratantes estavam presentes e isso não
ficou muito claro, se eles sabiam disso ou se apenas achavam que ele
faria parte da equipe da Start. Precisamos esclarecer isso. Ele diz que
quando ele alertou, foi na quinta a noite, mas desde quarta-feira que a
pesquisa já estava com os contratantes. Se os contratantes sabiam dessa
relação entre ele e a Start, é uma coisa que eles vão ter que dizer. O
que eles disseram aqui é que o trabalho foi feito, de forma isenta, que
em nenhum momento ele aceitou qualquer interferência e nem contato
pessoal com os contratantes.
Ficou claro o porque da Start ter desistido do registro da pesquisa no TSE?
O que ele diz, e até agora não tenho nenhuma versão da Start, é que o
instituto aceitou registrar porque receberia uma parte do dinheiro, 20%
do valor. Quando a Start percebeu que a pesquisa estava errada, aí disse
a ele que não divulgasse, ele disse que estava sem jeito, aí a Start
tirou o registro.
Qual foi o erro apontado pela Start na pesquisa feita pelo Professor Medeiros em Caicó?
Pra ser fazer uma pesquisa é preciso uma série de requisitos. Um deles é
perguntar ao entrevistado o grau de instrução e a renda da pessoa. Isso
são informações que precisam constar do questionário. Esses dados,
segundo ele não consta do questionário, e esse questionário não poderia
servir de base para uma pesquisa eleitoral. Isso ficou bem claro.
São detalhes que podem influenciar no resultado de uma pesquisa?
O que ele disse é que o percentual seria o mesmo. Eu vou ser sincero,
fiquei com dúvida nisso. Num universo de eleitores de Caicó, vamos
imaginar que 10% tenha curso superior, então ele teria que perguntar a
10%, e como ele não perguntou a ninguém o grau de instrução e ele não
sabe. Se todos que ele entrevistou fossem formados, o resultado não
reflete o da cidade, e sim o das pessoas formadas. A renda, se ele pegou
só gente que ganha 10 salários mínimos acima, ele não ouviu a população
em geral. Eu estou dando exemplos, e não dizendo que isso aconteceu.
Marcos Dantas
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