Uma das cidades mais ricas proporcionalmente devido aos royalties que recebe do Governo Federal, Guamaré se destacou ano passado por decretar situação de calamidade, consequência da estiagem no interior do Estado, mas gastar milhões em cachês de bandas para as festas de carnaval e de emancipação política. Neste ano, a situação parece diferente. O novo prefeito do município, Helio de Mundinho, do PMDB, decidiu cancelar o carnaval local, que seria realizado à custa de dinheiro público.
Dessa forma, Helio de Mundinho atende a recomendação do Ministério
Público Junto ao Tribunal de Contas do Estado (MPJTCE), que na semana
passada renovou a sugestão aos prefeitos das cidades em situação de
calamidade devido à seca, não promovam gastos públicos com a realização
do carnaval.
Na verdade, apesar de ser uma recomendação, o descumprimento dela,
segundo o próprio MPJTCE, pode dar origem a um processo na Corte de
Contas e levar o gestor público a pagamento de multa e ressarcimento ao
erário do dinheiro gasto. Dessa forma, as únicas alternativas de Helio
seria realizar o carnaval e assumir a responsabilidade mostrar que a
festa é superavitária e, por isso, se justificaria sua realização, ou
então decretar o fim do estado de calamidade no município.
O problema é que se tirasse o estado de calamidade de Guamaré, Hélio
poderia causar danos que o seu secretariado classificaram como
irreparáveis, como por exemplo: os agricultores teriam prejuízos
insanáveis como o corte por parte do governo do abastecimento de água
através da operação pipa, a exclusão da compra de insumos para
alimentação dos rebanhos, além da suspensão de trabalhos de recuperação
de poços artesianos e subsídio do milho para os agricultores, dentre
outros benefícios.
A informação do cancelamento foi divulgada na manhã de hoje, pelo
prefeito, e repercutida em alguns blogs da região, como o “Guamaré em
Dia”, pegando muitos moradores do município e das cidades vizinhas (que
são atraídos para lá pelo tradicional carnaval) de surpresa. “Não
adianta fazer carnaval desobedecendo à recomendação judicial e faltando
água na cidade”, justificou Helio de Mundinho, que chegou a solicitar ao
Ministério Público do RN uma permissão para a realização da festa, mas
não teve sucesso.

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