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quarta-feira, 6 de março de 2013

PM denuncia telexfree e quer dinheiro de volta

Rodrigo Lira



Ao aceitar convite de um amigo para ganhar dinheiro rápido e fácil na internet, um policial militar de alta patente, que prefere manter-se no anonimato, não imaginava que, ao invés das cifras, ganharia insatisfação, desconfiança e aborrecimento.  

À reportagem de A GAZETA e da Rádio CBN, o PM revelou que, depois de investir R$ 2,9 mil para virar divulgador da Telexfree – empresa investigada por suposta prática de pirâmide financeira –, estranhou o fato dos anúncios que publica para a empresa não levarem a lugar nenhum, e constatou que o serviço de telefonia VoIP simplesmente não funciona. Agora, ele quer a devolução do dinheiro que aplicou nos pacotes.
Por não ser o que esperava, o policial, então, fez queixas ao e-mail da Telexfree, mas elas não foram respondidas. Decidiu tentar resolver o problema na sede da empresa. Lá, porém, uma recepcionista disse que o problema só poderia ser solucionado por e-mail ou por quem o convidou. 
As experiências frustradas do policial reforçam as suspeitas da Polícia Civil de que a venda do serviço de VoIP e a publicação de anúncios da empresa na internet mascaram uma prática fraudulenta. As dúvidas, aliás, levaram à instauração de um inquérito policial, atualmente sob análise do Ministério Público do Espírito Santo.
A Telexfree diz que o seu site é o 50º em acessos no Brasil graças aos cerca de 2,3 milhões de anúncios diários publicados em sites por seus divulgadores. No entanto, em um site pouco popular, mas indicado pela empresa para as publicações (www.adfree.biz), os cliques dos internautas nas propagandas não são redirecionados nem para o site da Telexfree nem para a página com informações sobre o VoIP, que seria o principal produto da empresa. As dezenas de anúncios clicados ontem pela reportagem apenas exibiam mensagens de erro. 
“Eu anuncio um produto que ninguém consegue comprar. Quando você clica em cima (do anúncio), leva para uma página que não dá em nada”, reclama.
O policial diz ainda que é raro conseguir completar um telefonema por meio do VoIP. Há um mês usando o serviço pelo qual paga US$ 49 dólares mensalmente, só conseguiu fazer duas ligações. 
A pedido do divulgador, a reportagem testou o sistema VoIP da Telexfree. A proposta seria fazer uma ligação para um aparelho celular da Rede Gazeta com o aparelho cadastrado pelo policial no sistema da Telexfree. Após duas tentativas e quase quatro minutos de espera na segunda, a ligação caiu em outro aparelho. O áudio não era nítido e a interlocutora não conseguiu ouvir o repórter. Assista ao teste abaixo.

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