Ao aceitar convite de um amigo para
ganhar dinheiro rápido e fácil na internet, um policial militar de alta
patente, que prefere manter-se no anonimato, não imaginava que, ao invés
das cifras, ganharia insatisfação, desconfiança e aborrecimento.
À reportagem de A GAZETA e da Rádio
CBN, o PM revelou que, depois de investir R$ 2,9 mil para virar
divulgador da Telexfree – empresa investigada por suposta prática de
pirâmide financeira –, estranhou o fato dos anúncios que publica para a
empresa não levarem a lugar nenhum, e constatou que o serviço de
telefonia VoIP simplesmente não funciona. Agora, ele quer a devolução do
dinheiro que aplicou nos pacotes.
Por não ser o que esperava, o
policial, então, fez queixas ao e-mail da Telexfree, mas elas não foram
respondidas. Decidiu tentar resolver o problema na sede da empresa. Lá,
porém, uma recepcionista disse que o problema só poderia ser solucionado
por e-mail ou por quem o convidou.
As experiências frustradas do
policial reforçam as suspeitas da Polícia Civil de que a venda do
serviço de VoIP e a publicação de anúncios da empresa na internet
mascaram uma prática fraudulenta. As dúvidas, aliás, levaram à
instauração de um inquérito policial, atualmente sob análise do
Ministério Público do Espírito Santo.
A Telexfree diz que o seu site é o
50º em acessos no Brasil graças aos cerca de 2,3 milhões de anúncios
diários publicados em sites por seus divulgadores. No entanto, em um
site pouco popular, mas indicado pela empresa para as publicações
(www.adfree.biz), os cliques dos internautas nas propagandas não são
redirecionados nem para o site da Telexfree nem para a página com
informações sobre o VoIP, que seria o principal produto da empresa. As
dezenas de anúncios clicados ontem pela reportagem apenas exibiam
mensagens de erro.
“Eu anuncio um produto que
ninguém consegue comprar. Quando você clica em cima (do anúncio), leva
para uma página que não dá em nada”, reclama.
O policial diz ainda que é raro
conseguir completar um telefonema por meio do VoIP. Há um mês usando o
serviço pelo qual paga US$ 49 dólares mensalmente, só conseguiu fazer
duas ligações.
A pedido do divulgador, a reportagem
testou o sistema VoIP da Telexfree. A proposta seria fazer uma ligação
para um aparelho celular da Rede Gazeta com o aparelho cadastrado pelo
policial no sistema da Telexfree. Após duas tentativas e quase quatro
minutos de espera na segunda, a ligação caiu em outro aparelho. O áudio
não era nítido e a interlocutora não conseguiu ouvir o repórter. Assista
ao teste abaixo.

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