Mais de dez
anos depois de ter sido afastado de suas funções por envolvimento com
Pedofilia, Juiz José Edvaldo é preso, acusado de formação de quadrilha,
corrupção, apropriação indébita e fraude processual. No seu Blog, Josivaldo
Farias de Albuquerque, Ex conselheiro Tutelar e atual vice presidente
do CMDCA/Bayeux, fez um relato de como foi enfrentar o todo poderoso
magistrado.
Para nós que
atuamos na promoção da justiça social, é profundamente lamentável ouvir
das pessoas comuns o jargão de que nesse país só são presos pobres e
pretos. Diante desses fatos, não existe sensação melhor do que
presenciar a justiça sendo feita e poder mostrar pra essas pessoas
simples, que vale a pena lutar para a construção de uma sociedade mais
justa e igualitária.
As manchetes
que estão sendo demonstradas pela imprensa de todo o país, da prisão do
“todo poderoso” Juiz José Edvaldo, acusado de formação de quadrilha,
corrupção, apropriação indébita e fraude processual, vem confirmar de
forma prática que o ex presidente Lula, tinha razão, quando levantava a
necessidade de desvendar a “caixa preta” do judiciário.
É profundamente
triste ver noticias como essa sendo manchete dos principais meios de
comunicação do país, mas ao mesmo tempo é um alívio, pois nos passa a
sensação de que a justiça começa a ser feita. Há mais de dez anos, os
conselheiros tutelares de Bayeux denunciavam esse Juiz e por conta disso
passaram a ser olhados de forma atravessada por muita gente, que não
admitiam a denúncia a uma autoridade, que para alguns, estava acima do
bem e do mal.
Sabíamos o
nível de periculosidade que representava o Juiz José Edvaldo, porque
fomos vítimas de todas as formas de tentativas de nos desqualificar
diante das denúncias encaminhadas, desde acusarmos de maconheiros,
agressores de adolescentes, até colocar capangas para nos seguir e
realizar ameaças de morte.
Mas, para muita
gente era inconcebível, romper o silencio e acusar o respeitável
Magistrado dessas denúncias, pois entre um Juiz de Direito e alguns
jovens, “irresponsáveis”, militantes de esquerda e, por ultimo,
conselheiros tutelares, é obvio que as pessoas seguidoras da “moral e
dos bons costumes”, tomariam a opção de fazer a defesa do Juiz.
Aquele crime
cometido há mais de dez anos ficou impune e, em parte a sociedade teve
uma parcela de culpa, quando transformou a vítima em acusada. Sabemos
que grande parte dos casos de abuso sexual não são revelados,
principalmente por conta da vergonha e do medo da vítima e, ainda por
causa da situação de inversão de vítima em acusada.
Esse peso da
impunidade que nos acompanha ao longo desses dez anos, hoje é aliviado
quando é demonstrado para a sociedade de uma forma geral, que aqueles
“loucos” conselheiros tutelares tinham razão quando encaminhavam
denúncias contra um juiz e levantavam a tese de que aquele individuo
representava um certo nível de periculosidade para a sociedade.
Para finalizar,
eu gostaria de lembrar e prestar uma homenagem a Dona Neide, mãe da
adolescente abusada sexualmente pelo juiz. Uma mulher de garra, mãe
solteira, pobre, vítima de uma sociedade excludente, que apesar de todas
as adversidades, demonstrou que ainda é possível ter dignidade e honrar
a sua família sem precisar se vender.
Parabéns, Dona
Neide, por ter lutado até o fim na defesa de sua cria e de sua
dignidade. Hoje, foi dado um grande passo para amenizar nosso sentimento
de impunidade.
Josivaldo Farias de Albuquerque – Ex conselheiro Tutelar e atual vice presidente do CMDCA/Bayeux

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