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sábado, 25 de maio de 2013

Advogado preso acusado de fraudar alvarás e receber indenizações de ações jurídicas

 

Ação policial deflagrada ontem pela Delegacia Especializada em Falsificações e Defraudações (DEFD) resultou na prisão de três pessoas acusadas de falsificar alvarás judiciais para receberem indenizações milionárias de vítimas com ações trabalhistas na Justiça. 

O esquema fraudulento era liderado pelo advogado Jonas Miquéias de Melo Félix, 30, que foi preso em seu escritório, localizado no bairro Aeroporto. Com o advogado foram presos Denilson Lopes de Souza, 23, detido em sua residência no conjunto Abolição IV, e Aldo Ribeiro de Souza Neto, 20, preso em Natal.
 
Segundo informações repassadas pelo delegado José Vieira Castro, titular da DP de Defraudações, que juntamente com sua equipe de inteligência vinha monitorando o bando desde fevereiro deste ano, quando começaram a aparecer às primeiras vítimas, a "Operação Arremedos de Jurisdição" detectou que a quadrilha se beneficiava de informações privilegiadas com relação a indenizações, que populares ou empresas teriam para receber em ações pendentes.
 
"Diante das informações o bando falsificava os alvarás, inclusive as assinaturas do juiz e com o documento em mão se deslocavam à agência do Banco do Brasil e efetuavam os saques, quando o titular chegava para receber já não tinha mais nenhum dinheiro. Começamos então a montar o quebra-cabeça e desmantelamos o esquema", destacou o delegado.
 
Para o delegado Vieira Castro, mais de R$ 60 mil foram sacados em 12 alvarás falsos, no entanto em contato com as vítimas e empresas lesadas, o golpe poderá superar R$ 1 milhão, uma vez que uma empresa de telefonia teve inúmeras ações fraudadas. "Estamos investigando estas outras ações para saber se foram sacadas pela mesma quadrilha e somente após analisarmos todas as informações é que vamos relatar no inquérito e termos a real certeza de quanto foi fraudado", disse.
 
A operação policial comandada pelo delegado Vieira e sua equipe contou com a participação de dois agentes da 1ª DP, que cumpriram três mandados de prisão e quatro de busca e apreensão. Os mandados judiciais foram cumpridos no Aeroporto, onde o advogado Jonas Miquéias foi preso em seu escritório; no conjunto Abolição IV e no bairro Nova Betânia.
 
Com os acusados havia 14 alvarás falsificados, 12 já sacados; dois notebooks, um computador e vários documentos que serão periciados no Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep).
 
"Nossa operação foi realizada dentro dos padrões, com acompanhamento do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Mossoró e todos os presos na operação foram submetidos a exames de corpo e delito, no Itep", ressaltou.
 
O advogado Jonas Miquéias foi encaminhado a uma cela do 2º BPM. Os demais presos foram levados à Cadeia Pública Juiz Manoel Onofre de Souza. OAB só deverá se manifestar sobre prisão de advogado após analisar inquérito policial

Na tarde de ontem, em contato com o presidente da OAB de Mossoró, Aldo Fernandes, a reportagem do O Mossoroense tomou conhecimento que a Ordem só deverá se manifestar oficialmente sobre a prisão do advogado Jonas Miquéias após analisar o inquérito policial e tomar ciência de todas as provas colhidas nas investigações.
 
"Ontem pela manhã acompanhamos todo o trabalho policial que resultou no recolhimento do advogado, para garantir que tudo transcorresse dentro da legalidade, inclusive solicitamos à Polícia Militar uma sala para que o advogado ficasse detido durante a sua prisão temporária, no entanto somente após analisar o inquérito é que a OAB vai se pronunciar", destacou.
 
Aldo Fernandes destacou que ao tomar conhecimento das acusações que estão sendo atribuídas ao membro da OAB, solicitou cópias de todos os documentos que compõem o inquérito para que seja avaliado e posteriormente anunciará se será aberto ou não um procedimento contra o acusado.
 
"Não podemos dizer nada no momento porque não temos nenhum conhecimento sobre as acusações que estão sendo efetuadas pelas investigações da Delegacia de Defraudações. Após tomarmos conhecimento dos fatos, a instituição OAB vai se manifestar", conclui.

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