Ação policial deflagrada ontem pela Delegacia Especializada em
Falsificações e Defraudações (DEFD) resultou na prisão de três pessoas
acusadas de falsificar alvarás judiciais para receberem indenizações
milionárias de vítimas com ações trabalhistas na Justiça.
O esquema
fraudulento era liderado pelo advogado Jonas Miquéias de Melo Félix, 30,
que foi preso em seu escritório, localizado no bairro Aeroporto. Com o
advogado foram presos Denilson Lopes de Souza, 23, detido em sua
residência no conjunto Abolição IV, e Aldo Ribeiro de Souza Neto, 20,
preso em Natal.
Segundo informações repassadas pelo delegado José
Vieira Castro, titular da DP de Defraudações, que juntamente com sua
equipe de inteligência vinha monitorando o bando desde fevereiro deste
ano, quando começaram a aparecer às primeiras vítimas, a "Operação
Arremedos de Jurisdição" detectou que a quadrilha se beneficiava de
informações privilegiadas com relação a indenizações, que populares ou
empresas teriam para receber em ações pendentes.
"Diante das
informações o bando falsificava os alvarás, inclusive as assinaturas do
juiz e com o documento em mão se deslocavam à agência do Banco do Brasil
e efetuavam os saques, quando o titular chegava para receber já não
tinha mais nenhum dinheiro. Começamos então a montar o quebra-cabeça e
desmantelamos o esquema", destacou o delegado.
Para o delegado Vieira
Castro, mais de R$ 60 mil foram sacados em 12 alvarás falsos, no
entanto em contato com as vítimas e empresas lesadas, o golpe poderá
superar R$ 1 milhão, uma vez que uma empresa de telefonia teve inúmeras
ações fraudadas. "Estamos investigando estas outras ações para saber se
foram sacadas pela mesma quadrilha e somente após analisarmos todas as
informações é que vamos relatar no inquérito e termos a real certeza de
quanto foi fraudado", disse.
A operação policial comandada pelo
delegado Vieira e sua equipe contou com a participação de dois agentes
da 1ª DP, que cumpriram três mandados de prisão e quatro de busca e
apreensão. Os mandados judiciais foram cumpridos no Aeroporto, onde o
advogado Jonas Miquéias foi preso em seu escritório; no conjunto
Abolição IV e no bairro Nova Betânia.
Com os acusados havia 14
alvarás falsificados, 12 já sacados; dois notebooks, um computador e
vários documentos que serão periciados no Instituto Técnico e Científico
de Polícia (Itep).
"Nossa operação foi realizada dentro dos padrões,
com acompanhamento do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
Mossoró e todos os presos na operação foram submetidos a exames de
corpo e delito, no Itep", ressaltou.
O advogado Jonas Miquéias foi encaminhado a uma cela do 2º BPM. Os demais presos foram levados à Cadeia Pública Juiz Manoel Onofre de Souza. OAB só deverá se manifestar sobre prisão de advogado após analisar inquérito policial
Na tarde de ontem, em contato com o presidente da OAB de Mossoró,
Aldo Fernandes, a reportagem do O Mossoroense tomou conhecimento que a
Ordem só deverá se manifestar oficialmente sobre a prisão do advogado
Jonas Miquéias após analisar o inquérito policial e tomar ciência de
todas as provas colhidas nas investigações.
"Ontem pela manhã
acompanhamos todo o trabalho policial que resultou no recolhimento do
advogado, para garantir que tudo transcorresse dentro da legalidade,
inclusive solicitamos à Polícia Militar uma sala para que o advogado
ficasse detido durante a sua prisão temporária, no entanto somente após
analisar o inquérito é que a OAB vai se pronunciar", destacou.
Aldo
Fernandes destacou que ao tomar conhecimento das acusações que estão
sendo atribuídas ao membro da OAB, solicitou cópias de todos os
documentos que compõem o inquérito para que seja avaliado e
posteriormente anunciará se será aberto ou não um procedimento contra o
acusado.
"Não podemos dizer nada no momento porque não temos nenhum
conhecimento sobre as acusações que estão sendo efetuadas pelas
investigações da Delegacia de Defraudações. Após tomarmos conhecimento
dos fatos, a instituição OAB vai se manifestar", conclui.

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