O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello negou
nesta quarta-feira (10) pedido de grupo de divulgadores da empresa
Telexfree, no Paraná, pela retomada das atividades da empresa, suspensas
desde junho por decisão a juíza Thaís Borges, da 2ª Vara Cível da
Comarca de Rio Branco.
A empresa está sendo investigada pelo Ministério Público em vários
estados, por suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira,
considerado crime contra a economia popular.
Segundo o MP, a Telexfree utiliza
como “disfarce” um tipo de estratégia empresarial conhecido marketing
multinível, quando ocorre a distribuição de bens e serviços e divulgação
dos produtos por revendores independentes que faturam em cima do
percentual de vendas.
Os divulgadores afirmam que a decisão da justiça do Acre fere
seu direito “líquido e certo” de receber pagamentos devidos pela
empresa, de acordo com os contratos firmados. Outro argumento é de que a
empresa “honra com seus compromissos” e não há ainda provas de que
tenha cometido qualquer irregularidade.
Para o grupo, não há motivos para a suspensão total das atividades e
seria suficiente apenas impedir o cadastramento de novos contratantes ou
nomear um interventor.
“Os danos enfrentados pelos impetrantes [divulgadores] e demais
contratantes da empresa pela malsinada decisão judicial são de difícil,
senão impossível reparação, prejudicando sobremaneira a esfera
patrimonial e reputação dos impetrantes, como da própria empresa”,
afirma o grupo de divulgadores.
Na decisão, o ministro afirma que o STF não tem competência para
julgar um mandado de segurança contra uma decisão de outro tribunal.
Segundo Celso de Mello, o pedido deveria ter sido feito ao Tribunal de
Justiça do Acre.
“A jurisprudência do Superior Tribunal Federal tem
reafirmado a competência dos próprios Tribunais para processar e
julgar, em sede originária, os mandados de segurança impetrados contra
seus atos e omissões”, justificou o ministro.
A decisão foi dada pelo ministro Celso de Mello, que ocupa temporariamente a presidência no recesso, enquanto o ministro Joaquim Barbosa retorna de um evento, na Holanda, que reuniu ministros de Supremas Cortes de todo o mundo.
A Telexfree trabalha com a prestação de serviços de telefonia VoIP
(por meio da internet). O modelo de trabalho da empresa considerado
ilegal se baseia na venda de pacotes a “divulgadores”, que compram e
revendem contas e “recrutam” novos revendedores. Para tornar-se um
divulgador, o interessado precisa pagar uma taxa de adesão e comprar os
pacotes de contas, que custam a partir de US$ 289.

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