A comissão de delegados da Polícia Civil que investigou a morte do
advogado Antônio Carlos de Souza Oliveira contestou as declarações dadas
ao Portal BO pelo sargento PM Carlos,
conhecido como “Federal”, que alegou inocência no caso. O policial
chegou a dizer que era amigo pessoal do advogado e não tinha motivos
para vê-lo morto.
No entanto, de acordo com a comissão, composta pelos delegados
Raimundo Rolim, Roberto Andrade e Karla Viviane, as investigações
revelaram que, nos últimos meses que antecederam o assassinato de
Antônio Carlos, não havia relação de amizade entre o sargento PM e o
advogado. “Havia sim, uma relação conflituosa e de intensas ameaças”,
informa os delegados.
O próprio sargento Carlos declarou em depoimento audiovisual várias
ameaças proferidas pelo advogado, conforme consta no Relatório Final do
inquérito. Ele disse que o advogado Antônio Carlos lhe telefonou e
marcou para se encontrar no Cartório de Registro de Imóveis em São
Gonçalo do Amarante, onde o advogado apresentou uma escritura pública,
datado de 2007, dizendo que a imobiliária lhe vendeu alguns lotes.
Nessa ocasião, o Sargento Carlos teria explicado que havia outro
documento do terreno datado de 1995 e os proprietários estavam entrando
com um processo de usucapião e que aquela imobiliária havia falido,
ocasião em que Antônio Carlos disse para o sargento: “Saia disso aí e me
ajude que quando eu terminar, o cara vai me dar quatro lotes, para eu
tomar essas terras, aí eu lhe dou um lote”. Diante do exposto, o
sargento Carlos teria dito: “Doutor, isso não é da minha índole e eu não
aceito porque o velho tem direito ao usucapião”.
Segundo o sargento Carlos, depois de alguns dias, o advogado Antônio
Carlos retornou ao terreno e ameaçou o Irmão Marcos para que parasse de
construir o muro e que se continuasse: “Vou passar por cima de tudinho e
quem se meter a besta comigo, eu meto fogo em tudinho”.
Portal BO

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