Nem
sempre o que parece, é. Por isso, o que para alguns é meramente comprometimento
com a gestão municipal, para outros é campanha política. O que parece uma
cruzada pelo Rio Grande do Norte para ouvir a população, também pode ser
campanha política. Consequentemente, o que o prefeito de Natal, Carlos Eduardo
Alves, do PDT, e a vice-prefeita, Wilma de Faria, do PSB, estão fazendo neste
ano, pode ser interpretado, simplesmente, como uma antecipação da disputa
eleitoral pelo Governo do Estado em 2014.
Porque,
nos bastidores da política potiguar, os dois nomes são cotados para disputar o
pleito eleitoral de 2014 com grandes chances subir a rampa da Governadoria em
2015. O primeiro pelo que está fazendo na administração de Natal (e o que vai
fazer até o início do próximo ano); a segunda pelos quase oito anos de
“serviços prestados” ao Estado como governadora – cargo que deixou em 2010,
para disputar o Senado, e perdeu.
O
problema é que, dificilmente, Carlos Eduardo e Wilma repetiriam a “dobradinha”
da última disputa eleitoral em Natal. Sendo candidatos ao Governo, Wilma
encabeçaria uma chapa e Carlos Eduardo outra. No máximo, a vice-prefeita de
Natal sairia novamente para disputar o Senado, apoiada pela chapa do atual
prefeito (candidato ao Governo).
Isso porque
nos bastidores da política, o que se fala é que Carlos Eduardo, mesmo negando,
estaria se preparando para disputar a eleição para o Governo no próximo ano. Já
teria, inclusive, comunicado ao atual presidente da Câmara Municipal de Natal,
Albert Dickson, do PP, que ele pode assumir a Prefeitura em março do próximo
ano – com o afastamento da dupla de gestores.
Por isso,
inclusive, Carlos Eduardo tem tido uma pressa surpreendente para dar contorno
as obras de mobilidade em Natal e de saneamento básico em Natal e causar, o
quanto antes, o tão aguardado “choque de gestão” na administração municipal.
Isso significaria o cumprimento das principais promessas de campanha do gestor,
tornando “admissível” uma renúncia dele para disputar o Governo.
Por isso, também, o prefeito já deu a ordem de serviço de quase todas as obras de mobilidade urbana, mesmo sem ter o dinheiro para a contrapartida delas, e segue anunciando as ações de saneamento básico e urbanização, que não teriam nenhuma previsão real de serem realizadas ainda este ano. “A intenção é garantir, para quem quer um que venha a substituí-lo, que são ‘obras de Carlos Eduardo’. Seriam o cartão de visitas para ele disputar o Governo”, afirma uma fonte ligada ao portalnoar.com.
Dessa
forma, o prefeito corrigiria um dos principais causadores do fracasso de 2010,
quando foi candidato ao Governo, mas acabou derrotado não conseguindo a maioria
dos votos nem em Natal. Afinal, quando disputou o Executivo estadual na última
vez, Carlos Eduardo estava há dois anos sem mandato e não tinha conseguido
eleger sua sucessora (Fátima Bezerra, do PT), para a Prefeitura de Natal.
Além disso, Carlos Eduardo também não encabeçou um “acordão” político que pode se desenhar no próximo ano, com o presidente estadual do PDT tendo o apoio de partidos como o PT e o PMDB. Porém, o prefeito ainda teria que “discutir a relação” com o PSD, de Robinson Faria, e o PSB, de Wilma. O primeiro é pré-candidato e o apoiou em 2012. A segunda não nega nem confirma a pré-candidatura, e teria aceitado ser a vice do atual prefeito em troca do apoio dele na disputa majoritária de 2014.
“Eles
negam, mas na verdade todos querem ocupar o Governo do Estado no próximo ano”,
afirma outra fonte ligada ao portalnoar.com. E, no caso
de Wilma, nem isso, negar, a vice-prefeita de Natal faz. Afinal, ela tem dito e
repetido que tem “inclinação” para o Legislativo, mas poderia perfeitamente
aceitar o “convite popular” de voltar à disputa majoritária pelo Governo.
Essa
mistura de discursos de “majoritária” com “legislativo” soa para muitos como
uma possível candidatura ao Senado, mas o que especula é que esse seja apenas
um discurso para manter aberta todas as opções de candidaturas fortes. De fato,
a ex-governadora sempre volta no ponto do “convite popular” para embasar a sua
candidatura. Convite
esse, inclusive, que Wilma tem feito questão de buscar receber.
Até porque ela
pouco tem sido vista na Prefeitura como articuladora política do Executivo
municipal. A ex-governadora do Estado tem “rodado” o interior com a
justificativa de “ouvir a população” e buscar “alternativas” para o Estado. O
curioso da situação é que as alternativas não aparecem, mas o nome da líder
peessebista vai ganhando força no cenário local.
Portal no Ar


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