A ocupação das Áreas de Proteção Permanente – APP na bacia do açude
Itans em Caicó, voltou a ser discutida, e desta vez em uma audiência de
conciliação que aconteceu na tarde desta quarta-feira, (25), na sede da
9ª Vara Federal. Participaram, o representante do Ministério Público
Federal, GILBERTO BARROSO DE CARVALHO JÚNIOR; o diretor geral do
Departamento Nacional de Obras Contras às Secas – DNOCS no Rio Grande do
Norte, José Eduardo Alves Wanderley; do Juiz federal, Hallison Rêgo
Bezerra, e representantes da Caern, Prefeitura e Câmara Municipal de
Caicó.
O resultado: O Dnocs terá um prazo de 6 meses para realizar um novo
mapeamento da área ocupada e em definitivo, determinar a retirada das
pessoas que estão ali de forma irregular. Os que se adequam às
exigências, ou seja, usam o local para produção agrícola, permanecerão.
As adequações que forem preciso fazer, terão que ser feitas.
Com relação aos clubes/balneários, como Caicó Iate Clube, Apuc,
Asdec, entre outros que existiam na margem do Itans e que foram fechados
pelo Ibama, eles permanecem fechados e não poderão voltar a funcionar
como empreendimentos comerciais de realização de eventos festivos.
O Procurador Federal, Gilberto Barroso, em entrevista à Rádio Caicó
AM, disse que à reunião foi para fazer um acordo, uma conciliação no
processo. “Nós estávamos observando que essa situação do Itans, não
estava sendo enfrentada corretamente pelo Dnocs, mas, o próprio órgão
reconheceu isso e vai retomar suas funções nesse caso. Com relação às
ocupações que estritamente estiveram em desacordo com a legislação
ambiental terão que se adequar. E a adequação pode ser de demolição,
parcial, ou não, isso vai depender, individualmente da situação de cada
lote desses. Cada balneário será alvo da inspeção do Dnocs. Juntamente
com o Ibama será identificado que tipo de adequação precisará ser feito
na localidade“, disse.
O diretor do Dnocos, José Eduardo Wanderley, disse que em relação às
áreas de vazante, o juiz que verificou pessoalmente a localidade ele foi
sensível. “O Dnocs vai fazer nova fiscalização no setor, ou seja,
onde estão os vazanteiros. Será feita uma medição de cada lote de forma
individual. Os imóveis que estiverem com ocupações irregulares, terão
que se adequar. Nós vamos avaliar se essas pessoas estão degradando o
meio ambiente. Se não forem encontradas irregularidades, os contratos de
concessão de uso das terras, serão renovados, os demais serão
cancelados. Nesses casos, nós pediremos a reintegração de posse e tudo
terá que ser demolido“, contou.
Sobre os balneários, a situação é mais complicada. São
empreendimentos comerciais e mesmo que fossem fora da área de APP, o
Dnocs não poderia regularizá-lo. O próximo passo é identificar os que
estiverem dentro da área de Preservação, esses não podem continuar. “O
que puder ser regularizado, nós iremos fazê-lo, só que com vária
restrições, tipo, não poderão ser realizados eventos festivos,
empreendimentos efetivamente comerciais. Sobre o Iate, a solução é
demolir a parte que está dentro da área proibida e o que está fora,
regularizar, mas, em nome de um órgão público para funcionar com
restrições“, avisa.
As casas de particulares na margem do açude Itans, que são usadas
para o laser, não terão o contrato renovado. Às pessoas terão que sair
da localidade. A determinação será informada ao Ministério Público.
Deverá ocorrer a reintegração de posse. “Àqueles lotes sempre foram e
sempre serão para agricultura de subsistência”, disse Luiz Eduardo.
Sidney Silva

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