A penhora do Estádio Leonardo Nogueira consumiu o noticiário esportivo
durante esta semana. A maior praça esportiva de Mossoró entrou na mira
da Justiça há algum tempo por causa de ações trabalhistas contraídas por
sua gestora, a Liga Desportiva Mossoró (LDM), correndo o risco de ir a
leilão público caso o problema não seja solucionado até 2014.
“Se não houver um acordo, o estádio vai à praça pública. Não acredito
agora para este ano, mas não passa de 2014”, comentou o atual advogado
da LDM, José Carlos de Brito.
A ação em tese foi movida por Valderi Franco, conhecido por “Borracha”,
que quando funcionário da LDM cuidava do gramado do Nogueirão. A dívida
só com ele já beira os R$ 270 mil, resultado de duas reclamações
julgadas à revelia – pelo não comparecimento de representantes da Liga
para a defesa, isso no ano passado.
Outra ação é do ex-funcionário Luiz Velho, o “Galo Duro”, que servia à
LDM em dia de jogos no manuseio do placar, e outros serviços alegados
por ele nos autos. A dívida já chega os R$ 30 mil. Ao contrário da de
Borracha, a Liga fez a defesa no julgamento da ação de Galo Duro, mas
perdeu.
Ambas ações surgiram na administração anterior da LDM.
A atual gestão está bastante preocupada. Com recursos escassos, o
presidente Augusto César, o Guga”, fez um apelo para os órgãos
públicos.
A Liga não tem dinheiro e nem receita para quitar o débito com essa
quantia toda. Vivemos praticamente apenas dos 10% sobre a renda dos
jogos e, ainda assim, boa parte dessa comissão está bloqueada. Por isso,
estamos pedindo o apoio dos órgãos públicos, que se sensibilizem com a
situação”, suplicou Guga, evitando polemizar sobre o que levou a LDM a
entrar nessa “roubada”.
Não adianta agora querer encontrar culpados sobre o que fizeram ou
deixaram de fazer. O momento é olhar adiante e caminhar na tentativa de
resolvermos a situação”.
De fato, a renda da Liga sobre o aluguel do Nogueirão está bloqueada
por decisão judicial desde a primeira fase do Campeonato Estadual deste
ano. De lá para cá, a entidade deixou de receber algo em torno de R$ 30
mil. O dinheiro foi destinado para o desconto da dívida com Borracha e
vai aumentar na medida em que os jogos forem acontecendo no Nogueirão
até o débito ser quitado.
No Estadual, todos os 10% a que a Liga tem direito sobre o aluguel do
campo, estavam bloqueados. Agora no segundo semestre, conseguimos baixar
para 70% sobre essa comissão”, informou José Carlos.
A LDM foi notificada sobre a penhora do Nogueirão há quase um ano. Para
evitar que o estádio vá a leilão, o advogado vem alegando em defesa que
o terreno onde está construído o Nogueirão foi doado pela Prefeitura à
Liga, por isso há uma “cláusula de impenhorabilidade, sob pena de o
campo voltar para o poder do município”.
Julgado há meses, o recurso foi indeferido pelo juiz Hamilton Vieira
Sobrinho, da 3ª Vara do Trabalho de Mossoró, mas José Carlos entrou com
embargo apelando para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Natal.
No entanto, apenas para retardamento do processo, porque casos assim
geralmente a decisão acompanha o resultado do julgamento em primeira
instância.
Marcos Santos - Da Redação do Jorna de fato.com


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