Do G1/RN – O delegado de Defraudações e
Falsificações, Júlio Costa, indiciou o empresário Tarcísio Nóbrega de
Mello Júnior e a advogada Rafaela Pereira de Mello pelos crimes de furto
qualificado e estelionato. O casal é suspeito de usar serviços de
hacker para se apropriar indevidamente de mais de R$ 3,5 milhões da
empresa de marketing multinível NNex. O inquérito foi entregue nesta
quarta-feira (23) à Vara Criminal da comarca de Caicó, no Seridó do Rio Grande do Norte, onde o casal mora.
Tarcísio, conhecido como Nando, e Rafaela foram presos no último dia 14 de outubro na BR-226, no município de Currais Novos, quando se dirigiam a Natal. A polícia cumpriu, então, mandados de prisão, busca e apreensão e
sequestros de bens que foram expedidos pela Justiça após denúncia da
empresa NNex e investigação prévia da delegacia especializada.
“O certo é que vários empreendedores digitais foram beneficiados pelo
esquema criminoso comandado por Tarcísio, idealizado com o objetivo de
operacionalizar todo o sistema de fraudes, cujas consumações foram
interrompidas a partir da constatação do grande volume de movimentação
financeira existente nas contas dos indigitados agentes”, diz o delegado
no documento obtido pelo G1.
Para o delegado, os suspeitos cometeram estelionato em continuidade delitiva quando “mediante artifício, obtiveram vantagens ilícitas a partir das fraudes dos e-vouchers vips, mantendo em erro todos os empreendedores digitais referidos nesta espécie de golpe ao cobrar comissões pela operação fraudulenta”.
Depoimentos
No seu iterrogatóio, Rafaela negou participação no esquema, afirmando
que as contas que possuia junto à empresa eram operadas pelo seu
marido. Ela afirmou que percebeu os valores mais altos recebidos nos
últimos meses, porém “acreditou que tais valores eram referentes à
antecipação de todos os lucros que iria auferir durante o prazo
contratual”. Ainda de acordo com o documento, “a interroganda escutava
Nando falando com outras pessoas, pessoalmente ou por telefone, sobre
falhas que estavam ocorrendo no sistema da empresa NNex, comentando
inclusive que via comentários no facebook sobre falhas no TI”, diz.
No seu depoimento, Tarcísio afirmou que não “sabia informa se foi o
responsável pelas transferências bancárias em que é acusado pela
empresa”. Ele contou que possuia cerca de dois mil afiliados em sua rede
de marketing multinivel, porém percebeu que “a empresa chegou a
manipular o sistema de informações excluindo de sua rede cerca de 700
afiliados em detrimento e em prejuízo”.
Questionado se percebera os valores exorbitantes que começaram a entrar em sua conta, ele disse que viu “várias disparidades que ocorriam no momento que eram solicitados os saques no banco virtual, atribuindo tal fato a falhas do próprio sistema, uma vez que nega haver praticado fraudes em seu escritório virtual”.
Testemunhas
Consta no inquérito, entregue a justiça, depoimentos de testemunhas
ouvidas pela polícia durante a investigação. Em um dos casos, uma pessoa
diz que Rafaela à convenceu a abrir mais duas contas, além da que já
tinha, na NNex. Dias depois, recebeu a informação, dessa vez de
Tarcísio, que eles conseguiram uma senha que liberaria um dinheiro que
só seria recebido futuramente. Para tanto, ela precisaria pagar uma
comissão ao empresário. A testemunha contou que, como não desconfiou de
golpe, aceitou a proposta.

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