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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

MP investiga o porquê do Governo ter atrasado salários, mesmo tendo dinheiro

 

Ao que parece, o Governo do Estado vai atrasar o salário dos servidores estaduais até o final do ano, com a “reprogramação de pagamentos” que se anuncia. Contudo, isso não quer dizer que a gestão estadual está sem dinheiro para pagar o funcionalismo. Pelo menos, não na visão do Ministério Público do RN. Tanto que o MP instaurou um inquérito civil público com o objetivo de apurar o fato da gestão Rosalba Ciarlini (DEM) ter atrasado o pagamento mesmo, segundo o órgão, tendo dinheiro “em caixa” para pagar “em dia”.
E não é só pelo fato do Executivo ter dinheiro em caixa que o MP decidiu instaurar o inquérito. Segundo o órgão ministerial, chamou a atenção o fato do Governo ter preferido atrasar o pagamento dos funcionários à tomar medidas que são, tradicionalmente, preferidas em momentos de crise, como a diminuição de despesa com pessoal; como redução de cargos em comissão e funções de confiança; exoneração de servidores não estáveis; extinção de cargos e funções; e extinção de órgãos públicos. “Nem implementou o abate teto na folha de pagamento, conforme autorizado pelo Supremo Tribunal Federal”, analisou o MP por meio do procurador-geral adjunto de Justiça, Jovino Pereira, autor do inquérito.

Não era para menos. O Ministério Público foi um dos afetados pelo anúncio da crise financeira por parte do Executivo, uma vez que, com ela, o Governo do Estado cortou o orçamento dos demais poderes e órgãos auxiliares que recebem duodécimo. Há a suspeita, também, que a gestão Rosalba Ciarlini tenha se utilizado do anúncio de atraso salarial para comprovar a crise financeira e, dessa forma, conseguir no Supremo Tribunal Federal (STF) a permissão para realizar os cortes.

Investigação

Entre as diligências iniciais, o MP solicitou à Superintendência do Banco do Brasil informações sobre os saldos existentes na data de 30 de setembro de 2013 em todas as  contas de titularidade do Estado do Rio Grande do Norte; e se há registro de alguma aplicação financeira realizada pelo RN durante os meses de setembro e outubro de 2013.

À Secretaria de Planejamento e Finanças do Estado, o MP requisitou informações referentes à existência de contas bancárias em outros bancos; e se está sendo feito, mês a mês, o provisionamento do 13º salário dos servidores públicos.

Além disso, como forma de investigar melhor o quadro financeiro do Estado, o MP solicitou ao Secretário de Estado de Tributação para que, no prazo de 10 dias úteis, informe os valores totais arrecadados a títulos de ICMS pelo Estado do Rio Grande do Norte, mês a mês, de janeiro a outubro de 2013, devendo constar do relatório se as metas fiscais foram alcançadas.

Segundo o MP, esse é um esforço do órgão para entender a atual suposta crise financeira e buscar alternativas para que sejam adotadas as medidas legais cabíveis e proporcionais, destacando-se, principalmente, a parcela de responsabilidade do Executivo Estadual na gestão e execução responsável do orçamento público.



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