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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

“O orçamento não é imutável, mas vou usar meu poder de veto”, diz Rosalba


Desde que assumiu o controle do Estado há quase três anos, a governadora Rosalba Ciarlini tem recorretemente se queixado das dificuldades financeiras deixadas sobre o principal gabinete do Centro Administrativo. As dívidas, estimadas em mais R$ 800 milhões, minaram os discursos entusiasmados contidos nas mensagens anuais levadas à Assembleia Legislativa e obrigaram Rosalba a adotar medidas que seu governo tem classificado de moralizadoras.

A pedido da reportagem do portalnoar.com, a própria administração listou as 11 principais intervenções adotadas nessa seara. As ações vão desde a economia no custeio a determinações que envolvem a caça aos marajás e seus “supersalários” e a tentativa de ajustar os orçamentos dos demais poderes. O controle dos gastos não agradou.

“Cumprimos a lei. Ela é muito clara sobre as medidas que adotamos. Resistências ao que estamos fazendo temos todos os dias. Havia esse hábito, de muito tempo, de tudo sempre dar certo. De sempre ter recursos. Mas agora não tem mais”, comentou a governadora à reportagem.

As chamadas medidas moralizadoras foram adotadas pela chefe do Executivo estadual não como alternativa, mas obrigação. Com o Estado acima dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo precisou realizar ajustes fiscais, sob pena de ser ver impedido de receber transferências da União e, principalmente, ter sua governadora enquadrada por crime de improbidade administrativa.

A estratégia adotada parece ter chegado à segunda parte do plano. Inicialmente, a ideia seria colocar as finanças em ordem para poder tornar o Estado apto a realizar contratações financeiras, o que está sendo realizado agora com o festejado empréstimo bilionário ao Banco Mundial.

O que ainda é incógnita é como o governo vai se comportar diante das vacas gordas. Se for mantida a postura de resistência, as concessões serão poucas. É preciso lembrar, entretanto, que um ano eleitoral se avizinha e que a governadora Rosalba Ciarlini está em delicada situação política pela notória falta de apoio político, situação a que chegou justamente em face de ter adotado tais medidas.

As primeiras antipatias foram colhidas no plano de combate aos “supersalários” de 687 servidores que ganham acima do teto constitucional (R$ 25.323.50). A intenção de implantar o abate-teto foi anunciada ainda em 2011, no primeiro ano da gestão da governadora. A partir daí as engrenagens da moenda do isolamento da governadora começaram a girar.

Judicializada a questão, os servidores tiverem direito a manter seus vencimentos estratosféricos contando com apoio silencioso de uma ala política que viu nas medidas a oportunidade de acusar Rosalba de incompetente, estratégia que deu certo, a julgar pelos índices de rejeição que ela enfrenta atualmente.

“Não é justo tratar os servidores com desigualdades. Tem que tratar com igualdade. Tem que receber e trabalhar. As diárias, por exemplo, foram outro episódio. O governo se nega a utilizar diárias como complementação salarial. Diária é para ser paga quando for preciso. Isso, que é a coisa óbvia, as pessoas acostumadas com todo esse sistema não quiseram entender”, desabafou Rosalba.

No embate com os servidores, nenhuma queda de braço foi tão desgastante quanto as resistências para implantar 14 planos de cargos aprovados no último ano do governo Wilma. A negativa foi o que motivou a deflagração de greve sucessivas principalmente na Educação, Saúde e Segurança.

Outro episódio sobre o qual se lançou holofotes foram as medidas que despertaram a ira dos funcionários da Saúde. Acostumada a desregulamentação do setor, uma parte dos servidores se ergueu contra a implantação do ponto eletrônico nas unidades da rede hospitalar. A ação, inédita no Rio Grande do Norte, gerou até pedido de demissão de médicos que, com a reação adotada, deixaram subentender que estavam ganhando sem dar seus plantões correspondentes.

Imbróglio semelhantes foi vivenciado com a categoria dos professores. Aqui, no entanto, houve menos resistência quando o governo anunciou um censo que resultou na suspensão do salário de 1.700 funcionários. A explicação dada pelo governo é que eles não tinha lotação específica.

“Não existia um sistema com informação confiável sobre professores em sala de aula ou cedidos, e registro de frequência, que vinha de todos os lugares do Estado, em papel. Nem os chefes imediatos sabiam especificar. Não havia controle. Era um completo descontrole. A mobilidade dos servidores dentro da secretaria também era descontrolada. Nas escolas também era assim. Havia acordos para acomodações, e escola com excesso de professores sem precisar”, resumiu a secretária de Educação, Betânia Ramalho.

Para garantir que as medidas de controle adotadas na gestão atual não sejam modificadas posteriormente, Ramalho antecipa que tudo será colocado em decreto pela governadora Rosalba Ciarlini, vinculando a nova postura à força de lei.
 
“Quem quiser colocar abaixo vai ter que se expor. Tudo vai ser formalizado para que ninguém possa destruir com uma possível descontinuidade. Os órgãos de controle estão acompanhando muito bem isso”, contou a secretária à reportagem.
Das medidas ditas moralizadoras, a que ganhou mais notoriedade foi a tentativa do governo em dobrar o orçamento ao que chama de “realidade”.

O impasse envolvendo Executivo, os demais poderes e MP e TCE se arrasta desde que as receitas caíram, obrigando o governo a recompor as previsões. Os demais poderes acusam a gestão de unilateralidade no trato da matéria, impondo decisões sem discussões prévias. Rosalba nega.

“Eu chamei todos eles para conversar. Expliquei a delicada situação que estávamos vivemos. Não posso agir à margem da lei. Nos anos anteriores, acontecia de haver quedas nas receitas e os poderes receberem, mesmo assim, a previsão inicial que foi dotada. Mas a lei diz que deve haver o reajuste”, explicou a governadora.

No mais recente episódio sobre o assunto, o Supremo Tribunal Federal se pronunciou favoravelmente ao decreto que instituiu os cortes orçamentários. A governadora agora luta para que a peça de previsões do próximo ano seja aprovada na Assembleia dento dos “limite da realidade”.

Embora não admita, ela sabe que vai ser um embate difícil. Na Casa de 24 deputados, apenas Getúlio Rêgo sai publicamente em defesa do governo. Mas sobre isso a governadora prefere não comentar. Sempre que instada a se manifestar sobre política, Rosalba diz que prefere olhar para frente. Não custa lembra que o se vê à frente é uma disputa eleitoral.

As 11 medidas moralizadoras

1) Acabou com “regimes especiais de tributação”, que privilegiavam empresas e não segmentos econômicos. Essa medida fez aumentar a arrecadação do ICMS do Estado.

2) Determinou o incremento da fiscalização tributária e a implementação da Nota Fiscal eletrônica, como mecanismo de controle on line.

3) Determinou o recadastramento dos profissionais do Magistério, implementou a Lei do Piso Nacional do Magistério exclusivamente para os professores que estiverem nas escolas.

4) Determinou o retorno de 1.100 professores à sala de aula, como consequência da medida 3.

5) Determinou o retorno de servidores cedidos da FUNDAC para dedicarem-se às finalidades do Órgão

6) Encaminhou Proposta de Emenda à Constituição Estadual para determinar o “teto” de remuneração dos servidores para acabar com os “super-salários”.

7) Melhorou a capacidade de pagamento do Estado, possibilitando contratar operações de crédito (empréstimos para investimentos), inclusive com o Banco Mundial no valor de US$ 400 milhões, tendo sido elogiado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

8) Concluiu a construção, equipou e inaugurou a Escola de Governo, para promover a capacitação dos servidores públicos estaduais.

9) Determinou a implementação do controle de ponto eletrônico dos servidores na Saúde, inclusive em unidades hospitalares, a fim de garantir que a prestação dos serviços seja prestada aos servidores, com divulgação das escalas de plantão na internet.

10) Reduziu o consumo de combustíveis em quase 300 milhões de litros de combustíveis, gerando uma economia de quase R$ 4 milhões, desde 2011;

11) Reduziu o gasto com diárias 60%, gerando economia de R$ 7,2 milhões.

Portal no Ar

 

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