“A ÁGUA É O
SANGUE DA TERRA”
Não dá para entender que nos dias atuais, com o
desenvolvimento e a disponibilidade de tantas tecnologias, ainda experimentemos
o sofrimento pela falta de água - um bem tão essencial à vida de todos nós! Nos
séculos passados, onde as técnicas ainda eram incipientes, o nosso Estado destacou-se
dentre as três Capitanias vizinhas, através da criação de gado. Nos dias atuais
o que sobressai é a seca, castigando impiedosamente a nossa região, e nem gado,
nem gente no campo... E nas cidades ouvem-se somente os brados do povo por
água, sem que as providências eficazes sejam adotadas para amenizar os efeitos
de tamanha estiagem.
O Padre Brito Guerra, um benemérito norteriograndense,
disse certa vez numa tribuna “que o problema das secas nordestinas estaria
resolvido se as águas que caem dos céus, quando aparecem chuvas torrenciais, não
pudessem correr para o oceano, por encontrarem no seu caminho barragens e
açudes inumeráveis.” Sábias palavras ditas outrora! Todavia, o que se percebe é
que séculos após, não foram aprimorados e concretizados os recursos para
acumular água no semiárido do RN, apesar das atuais tecnologias.
As máquinas sequer são utilizadas para o desassoreamento dos açudes públicos existentes, como é o caso do açude ITANS, em Caicó, que na próxima estação chuvosa vai encontrar-se com sua capacidade de armazenamento diminuída e as águas correrão para o oceano e, novamente, faltarão na região. Cadê a tão falada interligação das bacias através das águas do Rio São Francisco? Por que os políticos vitalícios do nosso Estado não lutam pela celeridade desse projeto e de outros, cujas ações amenizariam muito os efeitos das estiagens?
As máquinas sequer são utilizadas para o desassoreamento dos açudes públicos existentes, como é o caso do açude ITANS, em Caicó, que na próxima estação chuvosa vai encontrar-se com sua capacidade de armazenamento diminuída e as águas correrão para o oceano e, novamente, faltarão na região. Cadê a tão falada interligação das bacias através das águas do Rio São Francisco? Por que os políticos vitalícios do nosso Estado não lutam pela celeridade desse projeto e de outros, cujas ações amenizariam muito os efeitos das estiagens?
Infelizmente, os nossos governantes não estão preocupados com a gravidade do assunto, fazem ouvido de mercador, estão desatentos aos efeitos funestos da seca, mais uma vez.
E como se já não bastasse, hoje tive péssimas noticias
vindas da Secretária de Recursos Hídricos: os poços previstos para serem
perfurados em algumas cidades (aqueles... somente cinco por município) estão
suspensos. Só em 2014! Dá pra acreditar? Para que serve esse decreto de
calamidade, governadora? Cadê as adutoras prometidas? As águas que chegam às
torneiras de várias cidades das regiões mais áridas estão com odor
insuportável...
“A água é o sangue da terra, e quando as chuvas não a
despejam suficiente sobre a terra, esta não produz, não pode produzir os
vegetais necessários à alimentação do homem e dos rebanhos...” disse na mesma
tribuna, o Padre Brito Guerra. Diante de tanta inércia e de
governantes/políticos tão inoperantes, resta-nos clamar à sociedade e suplicar
a piedade Divina. Que não demore muito pra que as chuvas façam correr nossos
riachos e que os rios encham nossos açudes, trazendo o alívio para essa
situação calamitosa.
Natal (RN), 05
de dezembro de 2013.
Joana D’Arc
Pires S. da Silva
Médica
Veterinária
(Coordenadora do Movimento
Grito da Seca do RN)


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