Uma dona de casa, mãe de dois filhos, morreu, hoje, depois de passar
dois dias internada em estado grave, no litoral de São Paulo. Ela tinha
sido espancada por um grupo de pessoas, à luz do dia, no bairro onde
morava. A polícia investiga se o crime foi motivado por um boato
publicado na internet.
A família recebeu a notícia da morte de Fabiane Maria de Jesus nesta segunda-feira (5) cedo, na porta do hospital.
“Uma crueldade. Isso não se faz com ser humano. Foi muita maldade o que
fizeram com a minha irmã. Julgar ela por uma coisa que ela não fez”,
lamenta Lediane de Jesus Ribeiro, irmã da vítima.
Imagens de cinegrafista amador mostram moradores carregando Fabiane
durante as agressões, e o momento em que policiais armados abrem caminho
para retirar a dona de casa, muito machucada.
A polícia investiga se a divulgação de uma foto e deste retrato falado
na página "Guarujá Alerta", de uma rede social, pode ter causado a
revolta. Fabiane teria sido confundida com uma mulher apontada como
sequestradora de crianças para rituais de magia negra.
O responsável pela página diz que também publicou avisos, na própria
página, de que se tratava de um boato. Ele vai prestar depoimento
amanhã.
“Por enquanto, é prematuro nós apontarmos responsabilização penal do
mantenedor da página. Contudo, caso durante a instrução do inquérito
policial, seja vislumbrado que, de alguma forma, ele concorreu para o
crime, na medida em que ele propalou esses boatos. Enfim, praticou uma
infração penal, ele vai ser responsabilizado por aquele ato que ele
efetivamente praticou, explica o delegado Luiz Ricardo Lara.
Pelo que foi apurado até agora, pelo menos, 10 pessoas participaram da
agressão. Dois vídeos foram entregues nesta segunda-feira ao delegado
responsável pelo caso. As imagens já estão sendo analisadas e poderão
ajudar a identificar os envolvidos.
O advogado da família critica as informações que foram publicadas na rede social.
“Que sirva de exemplo para gente levantar esse debate sobre a
responsabilidade ou a irresponsabilidade de pessoas que colocam o que
pretendem ou o que acham que pode. Ela foi violentamente espancada. As
cenas são bárbaras”, afirma o advogado Airton Sinto.
Para um especialista em segurança pública, a desconfiança da população com o trabalho da polícia alimenta a violência.
“Solução com as próprias mãos, muito ao contrário de resolver o
problema, só dramatiza e só faz a população ficar refém do medo e da
insegurança”, afirma Renato Sérgio de Lima, sociólogo do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública.
Para a família de Fabiane, só resta esperar e confiar na Justiça.
“Aquele que agrediu, matou minha esposa, tem que pagar pelo crime que cometeu”, diz Jailson Alves das Neves, marido da vítima.
G1


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