Mais de 10 dias após serem afastados do Botafogo, Emerson Sheik,
Bolivar, Julio Cesar e Edilson quebraram o silêncio e falaram pela
primeira vez sobre o desligamento. Os atletas concederam uma entrevista
coletiva na tarde desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, afirmando que
ainda não entendem a saída do time alvinegro e atacaram duramente o
presidente Mauricio Assumpção e a estrutura do clube.
Um dos
mais críticos foi Emerson Sheik. O atacante, conhecido por declarações
polêmicas, abusou da ironia durante toda a conversa com a imprensa.
Apesar do tom "brincalhão", ele fez duras críticas e chegou a denunciar
que tem gente passando fome.
"Tem gente no clube que passa
fome. Faz todas as refeições lá porque não tem dinheiro para fazer
compra. Ali tem um ser humano. Ele tem que respeitar isso. É gente com
filho recém-nascido sem poder comprar o leite do filho. São sete meses
de direitos de imagem atrasados, além de três meses de salário na
carteira. Não dá", denunciou.
O principal alvo de Sheik foi o
presidente Mauricio Assumpção. Segundo o atacante, todos os desligados
foram pegos de surpresa com a decisão.
"Vai continuar esse papo
de maluco do car... Ninguém entende. É isso. Ele [presidente] não
consegue ser claro. Quatro caras empenhados para tirar o clube da lama
que ele deixou e ele faz isso. E ele falou da parte técnica. Eu não
lembro dele como nada no futebol. Isso deveria ser o treinador a avalia.
Sabemos a importância que tínhamos para o time. Essa era uma
preocupação. Com o passar dos dias. Grande ou pequena a história do
presidente é inferior à nossa e isso não afetaria. O motivo só o
presidente pode responder", disse.
"Eu estava jantando com um
amigo e meu telefone a quase duas da manhã e vi que o Julio Cesar tinha
me ligado bastante. Eu fiquei preocupado porque somos amigos. Eu pensei
que tivesse acontecido algo. Eu liguei para ele e ele falou que nós
estávamos afastados. Ele foi muito sério, eu achei que fosse
brincadeira. Então entendi que não era uma brincadeira. Ele pediu para
ligar para o empresário. A princípio era um afastamento. O Reinaldo
(Pita, empresário) pediu para que fossemos ao treinamento na manhã
seguinte. A grande pergunta é o porquê de estar acontecendo tudo isso",
aumentou.
O humor do atacante voltou a aparecer ao falar sobre a
rotina desde que foi desligado do Botafogo. Sem pensar duas vezes, ele
diz que se desligou totalmente do futebol e que agora divide seu tempo
entre praia e o restaurante Paris 6, do qual é sócio.
"O que eu estou fazendo? Nada. Só vou à praia todo dia pela manhã e janto aqui no meu restaurante à noite", afirmou.


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