A Polícia Federal determinou sigilo das investigações sobre a mala com R$ 520 mil,
em espécie, apreendida pela Receita Federal no Aeroporto de Viracopos.
De acordo com o delegado do caso, Hermógenes de Freitas Leitão Neto, o
procedimento foi adotado por se tratar de uma suspeita de lavagem de
dinheiro.
"Todo crime de lavagem de dinheiro tramita em sigilo. Existe a suspeita
e este é o procedimento", resumiu o delegado. O passageiro voou de
Aracaju (SE) com destino a uma cidade do Paraná, e fazia escala no
terminal aéreo de Campinas (SP) quando foi abordado em uma inspeção de
rotina, na sexta-feira (17). De acordo com o órgão, ele não conseguiu
comprovar a origem do valor, mas foi liberado após depoimento.
Nesta terça-feira, a Receita Federal confirmou que, em uma das notas,
de R$ 10, havia escrito à mão o nome "Andinho", que coincide com o
apelido de um dos principais criminosos do estado de São Paulo, o
sequestrador e narcotraficante Wanderson Nilton de Paula Lima.
O delegado da PF disse, nesta terça-feira, que o prazo para conclusão
do inquérito é de 30 dias, mas o tempo pode ser prorrogado por igual
período. Para não quebrar o sigilo, ele não confirmou quando o
proprietário da mala será ouvido novamente, se outras testemunhas foram
intimadas, se há contato com a PF no Paraná ou se haverá quebra do
sigilo bancário do rapaz.
Não há informações também sobre a cidade de origem do rapaz e se ele
tem passagem criminal. "Todas as medidas de polícia judiciária serão
adotadas, mas, o que será feito ou não é sigiloso. Quem estava com o
dinheiro tem de provar a origem", frisou Neto. Segundo a Receita, os
números de série das notas não apresentavam sequência lógica, que
indique a origem.
O caso
O inspetor-chefe da alfândega de Viracopos, Antonio Andrade Leal, disse
nesta segunda que é incomum que passageiros carreguem essa quantia.
"Foram pouco convincentes os argumentos que ele apresentou", afirmou. De
acordo com Leal, o suspeito, de 30 anos, disse que era empresário,
entretanto, estava fora do mercado atualmente. O caso ocorreu na
sexta-feira (17).
Entre as justificativas apresentadas, explicou Leal, foi a de que o
valor era resultado de economia de muitos anos. O passageiro prestou
depoimento à Receita Federal das 6h de sexta-feira até o início da tarde
e foi liberado para seguir viagem. Segundo o órgão federal,
inicialmente o suspeito declarou que não havia nada na mala de mão e
também deu informações incorretas sobre a quantia carregada, o que
reforçou a suspeita sobre a origem do dinheiro.
Uma representação foi feita para o Ministério Público Federal (MPF) e o
valor fica retido em uma conta administrativa, informou a Receita. De
acordo com Leal, é preciso comprovar a origem dessa quantia. "Existe
risco de lavagem de dinheiro", afirmou o inspetor-chefe.
G1


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