O vice-presidente Michel Temer
está rouco. Fato normal para quem deixou há poucos dias uma rotina de
dois meses de campanha eleitoral. Na semana passada, usou seu outro
chapéu, presidente do PMDB, e isso o obrigou a gastar ainda mais a voz.
Num jantar, ele reuniu 202 integrantes do partido no Palácio do Jaburu.
No dia seguinte, Temer se reuniu com o conselho do PMDB e novamente não
poupou a garganta. Conversou longamente com o deputado Eduardo Cunha,
que se lançou candidato à presidência da Câmara. Adversário do governo,
Cunha é uma tarefa para Temer. “O partido é muito inquieto”, diz Temer.
“O importante é dialogar. É o que mais faço.”
ÉPOCA – A aliança do PMDB com o PT vive dias difíceis.
Parlamentares do PMDB reclamam de um desejo de hegemonia do PT. Como
lidar com isso?
Michel Temer – Há um dado numérico. Fizemos sete governadores,
e quase fizemos 11 – as vitórias dos adversários foram apertadas. O
eleitorado brasileiro apoiou muito o PMDB. Temos a segunda maior bancada
da Câmara, a maior do Senado, a presidência de ambas as casas, a
Vice-Presidência da República. Não entendo esse discurso da hegemonia,
acho que é uma disputa de funções no governo.
Neste mandato, o PMDB teve
cinco ministérios, vários cargos e atividades. Muitos criticam o PMDB,
dizem que o partido só quer cargo. Mas nós somos governo, não somos
aliados. Para o segundo mandato, as conversas com o PMDB, a partir das
conversas comigo mesmo, têm se amiudado. O PMDB e os aliados terão um
protagonismo grande.
ÉPOCA – Esse maior protagonismo se traduzirá em mais ministérios?
Temer – Não tratamos desse assunto ainda. Já estive duas vezes com a presidente Dilma desde a eleição, hoje (quinta-feira)
inclusive, mas deixamos isso para o começo de dezembro. Claro que essa é
uma tarefa da presidente. Ela naturalmente conversará com os partidos. A
questão não são cargos, mas espaço político.
Revista Época


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