Sabe por que ficou feia a briga por cargos no Senado entre Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa, e a oposição comandada pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Agripino Maia (DEM-RN)?
O que há por trás da briga é a preocupação de Renan com a preservação do seu mandato de senador. Poderá correr perigo.
Há cargos em disputa na Mesa que comanda o Senado (exemplos: a
primeira vice-presidência, a primeira secretaria, a segunda, etc e tal).
E há cargos de presidentes em comissões técnicas (exemplos:
Constituição e Justiça, Economia, Relações Exteriores, etc e tal).
A oposição argumenta que o preenchimento de tais cargos deve obedecer
ao critério da proporcionalidade, que leva em conta o tamanho de cada
bancada no Senado.
Renan pensa o contrário: leva tudo quem ganhou a eleição para
presidente do Senado. E foi ele que ganhou. Assim, Renan pretende
designar aliados para os cargos.
O que de fato importa: o nome de Renan foi citado entre os envolvidos
na corrupção da Petrobras. Caso isso se confirme quando os nomes de
políticos forem revelados, a cassação do mandato dele será pedida pelo
PSOL à Comissão de Ética do Senado.
O plenário é quem decidirá a parada. São 81 senadores. Para que ele
seja cassado serão necessários 54 votos. Portanto, se ele contar com os
votos de 28 senadores escapará de ser cassado.
No último domingo, Renan se elegeu com 49 votos. Mas não quer dar chance ao azar na hora da repartição dos cargos no Senado.
A vaga de vice-presidente está reservada ao PT, que apoiou Renan. O
PT votou fechado para elegê-lo mediante o argumento de que ganhará a
presidência caso ele venha a ser cassado.
Que tal?
No Congresso só tem serpentes traiçoeiras.
Por Ricardo Noblat
Nenhum comentário:
Postar um comentário