O juiz federal Flávio Roberto de Souza – afastado do cargo e do
processo em que o empresário Eike Batista é réu – confessou ter desviado
mais de R$ 1 milhão de dinheiro apreendido pelo Tribunal Regional
Federal. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelo
Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que investiga o magistrado
pelos crimes de peculato, subtração de autos, fraude processual e
lavagem de dinheiro.
Segundo o MPF, que teve seu pedido de prisão preventiva negado pela
Justiça Federal, o juiz disse ter tirado dos cofres da 3ª Vara Criminal
do TRF 108 mil euros e US$ 150 mil em espécie – o equivalente a R$ 835
mil. A declaração teria sido feita durante a auditoria da corregedoria
do TRF, iniciada após o juiz ser flagrado dirigindo o Porshe de Eike
apreendido durante processo por crimes financeiros.
Flávio Roberto de Souza ainda teria proferido decisões para desviar
outros R$ 290 mil depositados na Caixa Econômica Federal. Os valores do
desvio, somados, chegam R$ 1,12 milhão.
Segundo as investigações, o dinheiro retirado do cofre da 3ª Vara
Criminal teria sido apreendido com um traficante internacional de
drogas. Na ocasião, o equivalente a R$ 600 mil confiscados neste caso e
mais R$ 27 mil dos R$ 116 mil apreendidos na casa de Eike Batista
desapareceram dos cofres do TRF. O Ministério Público afirma que Flávio
Roberto de Souza articulou a guarda do dinheiro para possibilitar o
desvio do processo do traficante.
Procurado pelo G1, o magistrado não foi encontrado. Em contatos anteriores, Flávio Roberto se disse proibido pelo TRF de dar entrevistas.
Afastamento
No dia 3 de março, a 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional
Federal do Rio decidiu afastar o juiz Flávio Roberto de Souza do cargo e
do processo que tem o empresário como réu, por manipulação do mercado e
uso indevido de informações privilegiadas.Todas as decisões tomadas
pelo magistrado foram anuladas, com exceção do bloqueio dos bens do
empresário.
No mesmo dia, uma junta médica formada por três médicos, reunida pelo TRF2, concedeu licença para o juiz até o dia 8 de abril.
No dia 26 de fevereiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por
decisão da corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi,
havia decidido pelo afastamento do magistrado de todos os processos
relacionados ao empresário. O juiz foi flagrado dirigindo o Porsche
Cayenne que havia apreendido de Eike e admitiu ter guardado o veículo na
garagem do prédio onde mora, junto com uma Range Rover, do filho do
empresário, Thor Batista.
Recentemente, uma investigação realizada na 3ª Vara Federal Criminal do
Rio, onde o juiz era titular, identificou a falta de R$ 27 mil, US$ 443
e 1 mil euros. O dinheiro, que estava em um cofre, pertence ao
empresário.
G1


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