Henrique Baltazar, juiz de Execuções Penais
(Foto: Ricardo Araújo/G1)
(Foto: Ricardo Araújo/G1)
"O Estado controla os muros. O interior dos presídios é controlado
pelos detentos". A afirmação é de Henrique Baltazar dos Santos, que é
juiz da Vara de Execuções Penais de Natal desde 1990.
Para o magistrado, a crise que se instalou nos presídios do estado
com rebeliões em série durante oito dias nesta semana não tem a ver com
as más condições das unidades prisionais. "Os presos têm muitos motivos
para se rebelar. Mas essa onda de motins não foi por nenhum desses
motivos. Foi para eles mostrarem quem realmente manda", afirma.
Para a secretária estadual de Segurança Pública e Defesa Social
(Sesed), Kalina Leite Gonçalves, "o sistema prisional do Rio Grande do
Norte era um bomba relógio prestes a explodir. Agora explodiu". A
declaração revela que os problemas no sistema penitenciário do estado
não são recentes, muito menos uma novidade, e que os motins não pegaram o
governo de surpresa.
Na última segunda-feira (16), Kalina Leite passou a responder
interinamente pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc),
responsável pela administração das unidades prisionais potiguares.
"Não é uma surpresa que tudo isso esteja acontecendo. E muito disso se deve à falta de investimentos dos governos estadual e federal no sistema prisional do estado", disse o procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis, em entrevista na última terça-feira (17), quando o estado passava pelo sétimo dia de rebeliões nos presídios.
"Não é uma surpresa que tudo isso esteja acontecendo. E muito disso se deve à falta de investimentos dos governos estadual e federal no sistema prisional do estado", disse o procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis, em entrevista na última terça-feira (17), quando o estado passava pelo sétimo dia de rebeliões nos presídios.
Superlotação
O Rio Grande do Norte
tem 33 unidades prisionais que totalizam 4.876 vagas. O número de
presos é 7.605. A superlotação dos presídios é apontada como um dos
maiores problemas do sistema prisional pelo próprio governo do estado.
Mas este não é o único problema. A estrutura física das unidades
prisionais – que já era precária – ficou pior com a série de rebeliões
que atingiu 14 presídios de 11 a 18 de março.
No entanto, os problemas estruturais também não surgiram agora.
Paredes com infiltração, celas escuras e sem ventilação, presença de
insetos e sujeira fazem parte da rotina de grande parte dos detentos do
estado há anos.
Na maior parte das unidades prisionais do Rio Grande do Norte não há atendimento médico, dentário ou psicológico.
Um relatório de inspeção prisional realizado pelo Conselho Nacional
de Política Criminal e Penitenciária em 2014 aponta que na Penitenciária
Estadual de Alcaçuz, a maior do estado, em celas com capacidade para
duas pessoas, havia até oito. São 610 vagas para 866 presos, de acordo
com o relatório.
No Presídio Provisório Raimundo Nonato, em Natal, a situação era ainda pior: 180 vagas para 408 detentos.
Segundo Henrique Baltazar, a crise anunciada no sistema prisional foi subestimada pelo poder público. O início do problema, para ele, foi a transformação de carceragens de delegacias em presídios em 2010.
Segundo Henrique Baltazar, a crise anunciada no sistema prisional foi subestimada pelo poder público. O início do problema, para ele, foi a transformação de carceragens de delegacias em presídios em 2010.
"Não havia estrutura para isso. O que se fez foi colocar uma placa
escrita 'Centro de Detenção Provisória' na frente da delegacia. E os
presos que estavam sob custódia da Polícia Civil passaram para o sistema
prisional do estado", afirmou o juiz.
G1

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