Os meses em que a Casa de Saúde Dix-Sept Rosado ficou fechada são
lembrados como um período de caos no atendimento materno-infantil em
Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte. Enquanto o Hospital da
Mulher triplicava os atendimentos para suprir a demanda de 600 partos,
uma junta interventora assumia uma casa de saúde atolada em dívidas: R$
32 milhões, segundo a própria junta. As dívidas incluem débitos
trabalhistas, com fornecedores, prestadores de serviço, INSS e impostos.
Nos meses de agosto e setembro do ano passado, o hospital teve que
fechar as portas por falta de medicamentos e equipamentos de trabalho.
Quando reaberta com o nome de Maternidade Almeida Castro, em 1º de
outubro passado, a Casa de Saúde retomou o volume de atendimentos aos
poucos. Ao mesmo tempo em que tenta reformar o prédio e garantir o
funcionamento da maternidade, a atual diretora geral da maternidade,
Larizza Sousa Queiroz Lopes, busca pagar as dívidas. "Tentamos trabalhar
com o mínimo para dar o máximo. Você me pergunta: Dá? A gente faz o que
pode", afirma. Os débitos e más condições exigiram cautela na
reabertura.
"O hospital pode ter até 170 leitos, mas decidimos começar com o
mínimo. Abrimos com 30 e estamos agora com 132 leitos e com a pretensão
de abrir mais 30 até o fim do mês", diz. A Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) adulta, por exemplo, possui oito leitos, porém apenas um
respirador está funcionando. “Estamos comprando respiradores para não
reabrir com 'gambiarra'", reforça Larizza Lopes, que se licenciou do
cargo de auditora do Município para assumir a direção da antiga casa de
saúde.
Intervenção e investigações
Nomeada pela Justiça do Trabalho, a junta interventora assumiu a administração do hospital no lugar da Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim), entidade sem fins lucrativos responsável pela administração da unidade e que tem como presidente o ex-deputado federal Laíre Rosado. A presença da junta interventora também é respaldada pelas Justiças Federal e Estadual em decisões judiciais.
A Apamim e Laíre Rosado são investigados em ações trabalhistas, civis e criminais dos ministérios públicos Federal e do Trabalho. Em uma delas, o Ministério Público Estadual pede a dissolução da associação e a transferência da administração da antiga casa de saúde para o Município de Mossoró.
Nomeada pela Justiça do Trabalho, a junta interventora assumiu a administração do hospital no lugar da Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim), entidade sem fins lucrativos responsável pela administração da unidade e que tem como presidente o ex-deputado federal Laíre Rosado. A presença da junta interventora também é respaldada pelas Justiças Federal e Estadual em decisões judiciais.
A Apamim e Laíre Rosado são investigados em ações trabalhistas, civis e criminais dos ministérios públicos Federal e do Trabalho. Em uma delas, o Ministério Público Estadual pede a dissolução da associação e a transferência da administração da antiga casa de saúde para o Município de Mossoró.
O G1 procurou Laíre Rosado, mas ele preferiu não se
pronunciar. A advogada dele, Samara Couto, disse que o ex-deputado não
presidiu a associação e que a atuação de Laíre "resumiu-se, a partir de
2011, a funções médicas. Supor que exercia a presidência por meio de
terceiros é absurdo".
A advogada também negou os supostos desvios de recursos públicos na
Apamim. "A intervenção provisória é uma injustiça decorrente de
informações falsas nas quais, lamentavelmente, baseia-se o Ministério
Público, que um dia reconhecerá o equívoco. As dificuldades econômicas
da entidade ocorreram por dois fatores que não se confundem com má
gestão ou ato ilícito: a defasagem da tabela do SUS e os reiterados
atrasos nos repasses desses recursos, a cargo da prefeitura, que
chegavam a onze meses".
G1/RN


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