Na tarde deste sábado, quando o bloco Bastardo se preparava para
iniciar seu cortejo na Rua João Moura, em Pinheiros, Zona Oeste de São
Paulo, o locutor oficial repetia: “Apesar da crise, o Bastardo está na
rua mais uma vez”. A julgar pelo discurso repetido por muitos dos
foliões, este é mesmo o Carnaval da crise. “Sempre viajo no Carnaval.
Esta é a primeira vez que fico em São Paulo e pretendo curtir blocos
todos os dias”, disse o publicitário Gabriel Rezende, 30 anos,
fantasiado de mulher. “Antes ia para o Rio, para São Luis do Paraitinga.
Desta vez, por causa da crise financeira, achei melhor economizar e
ficar por aqui mesmo. Mas estou gostando. Os blocos de São Paulo estão
bons, não precisa mais viajar. E aqui, acabou o bloco é só ir para
casa.”
Centro das atenções por estar fantasiado como sósia do agente da
Polícia Federal Newton Ishii, o “japonês da federal”, famoso por fazer a
escolta dos presos na Operação Lava Jato, o consultor de vendas Marco
Tomio, de 54 anos, tinha razões, digamos, mais prosaicas para curtir o
Carnaval de rua de São Paulo. “Antes eu não vinha porque era casado, né?
A mulher não deixava”, comentou, rindo. Agora, promete que vai emendar
um bloco no outro e só vai parar na quarta-feira de cinzas. No bloco
Bastardo, ele foi muito assediado por pessoas que queriam tirar uma foto
ao seu lado.

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