O juiz Matheus Gaspar, da 4ª Vara de Execução Penal da Justiça Federal,
em Foz do Iguaçu, determinou nesta quarta-feira (8) a transferência do
policial federal Newton Ishii, o Japonês da Federal, para o Centro de
Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil do Paraná. Ele está preso desde terça (7) na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde trabalha.
Newton Ishii foi preso após ter sido condenado pelo crime de
facilitação do contrabando. O processo transitou em julgado, ou seja,
não cabe recurso. Ao saber da decisão, Ishii se apresentou
espontaneamente na Superintendência da Polícia Federal da capital
paranaense.
Mais cedo, o delegado regional executivo da PF no Paraná, José
Washington Luiz Santos, havia solicitado ao juiz para que o Japonês da
Federal permanecesse preso na Superintendência da PF. A determinação
inicial de Matheus Gaspar era para que Ishii fosse levado para o sistema
penitenciário estadual do Paraná.
No mesmo pedido, no entanto, José Washington Santos havia sugerido a
possibilidade de o Japonês da Federal ser levado para o Cope, por ser o
local em que os policiais civis do estado que cometem crimes costumam
ser custodiados. Até a publicação desta reportagem não havia informações
sobre a data da transferência.
Prisão especial
O delegado regional executivo informou ao juiz que, desde a prisão,
Newton Ishii estava preso em uma das salas da Superintendência da PF que
foi preparada para recebê-lo. Ele afirmou que a situação é decorrente
da condição especial dele de servidor policial federal – Ishii era o
responsável pelo Serviço de Custódia de presos.
Santos disse que Ishii foi responsável pelas escoltas e conduções de
diversos presos que passaram pela custódia da PF em Curitiba. “O
servidor foi o responsável pelos trabalhos de condução da maioria dos
presos da maior operação de combate à corrupção, lavagem de dinheiro e
desvios de recursos públicos, denominada de Operação Lava Jato”, lembrou
o delegado.
Segundo José Washington Santos, a convivência do Japonês da Federal com
presos perigosos no sistema estadual poderia ter “consequências graves e
irreparáveis”.
O G1 procurou o advogado Oswaldo de Mello Junior, que representa Ishii, mas ele não atendeu às ligações.
Operação Sucuri
De acordo com o advogado do agente, Oswaldo de Mello Junior, Ishii foi condenado a quatro anos, dois meses e 21 dias em virtude da Operação Sucuri, que descobriu envolvimento de agentes na entrada de contrabando no país.
De acordo com o advogado do agente, Oswaldo de Mello Junior, Ishii foi condenado a quatro anos, dois meses e 21 dias em virtude da Operação Sucuri, que descobriu envolvimento de agentes na entrada de contrabando no país.
As investigações mostraram que os agentes facilitavam a entrada de
contrabando no país, pela fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu.
"O Superior Tribunal de Justiça (STJ) denegou um recurso que nós
tínhamos recorrido na semana passada sobre a condenação em Foz. Ao saber
da expedição do mandado de prisão, meu cliente foi avisado e
imediatamente se apresentou em Curitiba", disse o advogado.
Oswaldo afirmou ainda que Newton já cumpriu quatro meses da pena e que
isso será descontado da condenação total. “Como ele foi condenado a
quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, teria o direito
de progredir para o regime aberto depois de cumprir um sexto da pena,
cerca de oito meses.
E, como em 2003 ficou preso preventivamente por
pouco mais de quatro meses, restariam ainda quatro meses e alguns dias
em regime semiaberto para serem cumpridos”, detalhou o advogado.

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