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sábado, 2 de julho de 2016

Eduardo Cunha ficava com 80% da propina em esquema na Caixa, afirma delator


Considerado delator-bomba capaz de afundar o que resta da vida política do presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fábio Cleto disse em depoimentos ao Ministério Público que o peemedebista embolsava 80% das propinas recolhidas no esquema de corrupção no banco público. O interesse primordial de Cunha era o fundo de investimento do FGTS, o FI-FGTS, que reúne recursos de trabalhadores e é usado em aplicações em obras de infraestrutura.

Cleto relatou que o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, aliado de primeira hora de Cunha, disse que ele teria “benefícios” se assumisse uma das vice-presidências da Caixa e que o dinheiro sujo seria dividido entre os partícipes do esquema. Em uma reunião no então apartamento funcional de Cunha em Brasília, época em que ele ainda não tinha ascendido à presidência da Câmara, o deputado detalhou como seria a atuação dele na trama criminosa: Cunha apresentaria demandas de obras a ele, que deveria encaminhar ou arquivar os projetos conforme os interesses espúrios do peemedebista. Quando o deputado do PMDB chegou à presidência da Casa legislativa em 2015, os encontros passaram a ser na residência oficial, no bairro do Lago Sul, em Brasília.

No rateio do dinheiro, Eduardo Cunha ficaria com 80% dos valores arrecadados, Funaro com 12% e Fábio Cleto com uma parcela de 4%. Ao empresário Alexandre Margotto caberiam outros 4% mas, ao invés do valor combinado, ele recebia mensalmente valores entre 15.000 reais e 20.000 reais e Lúcio Funaro embolsava diferença. Margotto atuava como uma espécie de sócio de Funaro e cedia suas empresas para que o doleiro pudesse movimentar valores. “As pessoas responsáveis por negociar a propina com as empresas eram Lúcio Bolonha Funaro e Eduardo Cunha. Em todos os casos, Funaro e Cunha estavam acertados e alinhados em relação à solicitação de propina”, disse Fábio Cleto em seu acordo de delação premiada.

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